30 Dezembro 2009
"PROSPERO ANO DE 2010"
Aos que por aqui passaram sem deixar “rasto”;
Aos que por aqui passaram levados pela mera curiosidade;
Aos que por aqui passaram e deixaram os seus comentários;
Aos que por aqui passaram depois de me conhecerem fora daqui;
Aos que por aqui passaram com o “olhar ceguinho de choro”;
Aos que por aqui passaram para me “construir” nos seus imaginários;
Aos que por aqui passaram com motivações dúbias;
Aos que por aqui passaram com intenções detractoras;
Aos que por aqui passaram com o sério desejo de me vir a conhecer “de carne e osso”;
Aos que por aqui passaram e lhes frustrei expectativas;
Aos que por aqui passaram e lhes alimentei expectativas;
Desejo, sinceramente, um PROSPERO ANO DE 2010.
«Cânon 60.º: “Se alguém derrubar os ídolos e for morto nesse mesmo lugar, visto que tal procedimento não está escrito no Evangelho nem, consta sob os Apóstolos, essa pessoa não será incluída no catálogo dos mártires”»
(primeiro concílio Ibérico – Eliberi – Granada – ano 308 d.c)
PAULO
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Paulo Sempre
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12/30/2009 06:33:00 PM
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24 Dezembro 2009
"NATAL- DOGMAS, CULTOS E AFINS..."

Dogmas, culto dos santos, culto Maria, culto das imagens, arquitectura religiosa, disciplina e direito canónico, liturgia sacramental, alfaias e paramentos litúrgicos (da batina do padre à tiara do papa), calendário litúrgico, culto da Igreja –Mãe, enfim, toda uma cultura religiosa invade hoje as nossas vidas.
Mas será que se justifica festejar o nascimento de Jesus em Dezembro?
“Jesus não nasceu em Dezembro! Lucas 2:8 diz: "Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam os seus rebanhos, durante as vigílias da noite.” Dezembro é tempo de Inverno. Costuma chover e nevar na região da Palestina (Confira na Bíblia em Cantares de Salomão 2:11 - Esdras 10:9-13). Consequentemente, os pastores não poderiam permanecer ao ar livre nos campos durante as vigílias da noite. Naquela região, as primeiras chuvas costumam chegar nos meses de Outubro e Novembro. Durante o Inverno os pastores recolhem e guardam as ovelhas no aprisco... Eles só permanece guardando as ovelhas ao ar livre durante o verão! Com certeza, o nosso Senhor não nasceu em 25 de Dezembro, quando nenhum rebanho estava no campo! A verdadeira data do nascimento de Jesus é inteiramente desconhecida. O mais plausível é que tenha sido no começo do Outono - provavelmente em Setembro, aproximadamente seis meses depois da Páscoa.
Não há mandamento ou instrução alguma na Bíblia para se celebrar o nascimento de Cristo! Somos orientados sim a lembrar da sua morte e ressurreição que nos proporcionou a Vida (I Cor. 11:24-26; Jo. 13:14-17)”.
A fé pode transportar “montanhas”, os crentes podem seguir a sua “estrela”, a sociedade de consumo pode fazer as suas “vitimas”, o vento – sem se ver – pode arrastar as folhas secas que ora habitam as ruas, a mentira pode adquirir o estatuto de verdade, a Igreja católica pode alimentar o seu “rebanho”e os seus cofres dourados, os deuses podem “embebedar-se” com a omissão da verdade, os políticos podem tirar dividendos dos mitos populares. Tudo pode acontecer.
A esperança dum mundo plurirreligioso e tolerante é uma “miragem.
Já ninguém se lembra do tempo em que os cristãos não tinham templos. As reuniões de culto eram locais em habitações comuns, sem arranjos arquitectónicos especiais. A Ecclesia, a Igreja, era uma colectividade, uma assembleia de fiéis e frequentemente um «grupo à distância» como dizemos hoje. Quem tinha templos eram os pagãos – a casa do deus Mercúrio ou Athis – sendo que os cristãos passaram a imitá-los. Com a promiscuidade da religião com o poder social e com os locais consagrados, a religião fechou-se em templos “dourados” «onde Deus mora». Hoje, a religião cristã é uma espécie de obrigação jurídica pois o único meio de saber se alguém cumpre a “lei” é a frequentação da «casa de Deus».
A melhor “prenda” que o homem pode ter é o seu livre arbítrio e a coragem de não se deixar “algemar” pela sedução sem honesto fundamento.
PAULO
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12/24/2009 02:57:00 PM
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08 Dezembro 2009
08/12/2009 - 115 ANOS DO NASCIMENTO DE FLORBELA ESPANCA

Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa – Alentejo – Portugal, em 08 de Dezembro de 1894. Foi baptizada com o nome Flor Bela de Alma da Conceição. Foi uma poetisa portuguesa. A sua vida de trinta e seis anos foi tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização e feminilidade.
Rolando Galvão, autor de um artigo sobre Florbela Espanca, caracteriza assim a obra florbeliana:
“Como dizem vários estudiosos da sua pessoa e obra, Florbela surge desligada de preocupações de conteúdo humanista ou social. Inserida no seu mundo pequeno burguês, como evidencia nos vários retratos que de si faz ao longo dos seus escritos. Não manifesta interesse pela política ou pelos problemas sociais. Diz-se conservadora. (...) O seu egocentrismo, que não retira beleza à sua poesia, é por demais evidente para não ser referenciado praticamente por todos. Sedenta de glória, diz Henrique Lopes de Mendonça, transcrito por Carlos Sombrio.”
Hoje, passados 115 anos após o seu nascimento, aqui a lembro com este seu poema:
SOMBRA
“De olheiras roxas, roxas, quase pretas,
De olhos límpidos, doces, languescentes,
Lagos em calma, pálidos, dormentes
Onde se debruçassem violetas...
De mãos esguias, finas hastes quietas,
Que o vento não baloiça em noites quentes...
Nocturno de Chopin... risos dolentes...
Versos tristes em sonhos de Poetas...
Beijo doce de aromas perturbantes...
Rosal bendito que dá rosas... Dantes
Esta era Eu e Eu era a Idolatrada!...
Ah, cinzas mortas! Ah, luz que se apaga!
Vou sendo, em ti, agora, a sombra vaga
D’alguém que dobra a curva duma estrada...”
(Florbela Espanca - 1923)
PAULO
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12/08/2009 06:56:00 PM
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01 Dezembro 2009
"OCULTOS EMPRESÁRIOS DO SOBRENATURAL"
A pequena Lúcia, de nove anos de idade, frequentava com assiduidade a Igreja, a catequese e a mesa comungatória. A acção dos padres exercia-se sobre ela com afinco dentro e fora do confessionário, o que os levou a considerá-la apta a desempenhar o papel de “agente da acção directa das aparições. E como reunia todos os requisitos, na Primavera de 1916 os ocultos empresários do sobrenatural tentaram pôr em pratica os seus planos. Num dia em que Lúcia apascentava as ovelhas numa terra chamada “as Estrumeiras”, foi realizada a aparição.
A «mise-en-scène», porém, não foi montada. Lúcia avistou um vulto vestido de branco, o vulto de alguém que tentava entrar em contacto oral com a pastorita (Lúcia). A criança (Lúcia), assustada, fugiu, e daquela aparição nada resultou de concreto.
- «Que viste acerca dum ano? Tua mãe disse-me que tu e as outras crianças viram um vulto embrulhado numa espécie de lençol, que não deixava ver o rosto. Porque me disseste o mês passado que não foi nada»?
Como o cónego lhe apontava uma mentira, Lúcia calou-se. Mas o cónego Formigão insistiu:
- «Dessa vez fugiste?»
Lúcia respondeu:
- «Cuido que fugi»
Em face deste primeiro insucesso, os empresários do sobrenatural estudaram cuidadosamente os planos duma nova aparição.
Para lugar da acção da nova aparição, a Cova da Iria, terra pertencente aos pais de Lúcia, possuía todas as condições. «Sitio ermo e pedregoso, situado numa «pequena bacia sem horizontes», onde, «por mais que se olhasse, não se vislumbrava viva`alma».
A superstição considera os dias 13 propícios à eclosão de acontecimentos extraordinários. Ora dava-se a coincidência de o dia 13 de Maio de 1917 cair a um domingo, circunstância que foi aproveitada. Encaminhar Lúcia no dia 13 de Maio, com as suas ovelhas, para a Cova da Iria, por forma tão habilidosa que nem ela desse conta da sugestão, era tarefa fácil para o confessor ou para o catequista.
Entre as imagens da Virgem conhecidas pelos padres, que estão no segredo do plano, é escolhida a mais bela e a mais adequada para representar, aos olhos de Lúcia, o papel de Virgem Maria.
Entre os ramos que tinham vicejado no cepo duma azinheira, a imagem da Senhora é colocada convenientemente, no momento oportuno, um operador escondido perto da azinheira, por meio de rápidas manobras executadas com um espelho, chama a atenção de Lúcia, e mais duas crianças (Francisco e Jacinta) para o local onde está colocada a imagem, servindo-se do reflexo da luz solar.
Lúcia, Jacinta e Francisco, aterrorizados, no primeiro momento pensam em fugir, o que não chegam a fazer, porque uma voz – muito “fininha” -os tranquiliza:
- «Não tenhais medo, que eu não faço mal, e, para o vosso bem, ouvi o que vos quero dizer»
Jacinta, com o seu feitio acanhado e esquivo, cala-se, mas Lúcia estabelece conversação com a Senhora. Francisco, que nesse momento estava atarefado a fazer sair as ovelhas da terra do milho e dos chícharos, que elas tinham invadido, regressou para junto da Lúcia e Jacinta a tempo ainda de ver a imagem, mas já quando o dialogo estava a chegar ao fim.
Os promotores da aparição sabiam que colocar diante dos olhos das crianças uma imagem da Virgem, seria o meio mais eficaz de criar no espírito das mesmas a certeza de que a Virgem lhes tinha aparecido em carne e osso.
Acerca da atitude da Senhora durante as aparições. Lúcia afirmou:
- «Nunca sorriu nem se mostrou triste, mas sempre séria. Nunca me saudou nem com a cabeça nem com as mãos e não mexeu os lábios».”
(do livro – Fátima Desmascarada - de João IIharco – Coimbra 1971)
Aos que por aqui pasarem e lerem este blogue, podem ficar tranquilos. Eu não faço mal e, para vosso bem, devem reflectir sobre certas realidades sob pena de serem usados pelos OCULTOS EMPRESÁRIOS DO SOBRENATURAL E DA POlÍTICA. Eles andam ai...
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12/01/2009 04:38:00 PM
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20 Novembro 2009
INSTRUÇÕES PARA CORRUPTOS
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11/20/2009 09:06:00 PM
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06 Outubro 2009
AMÁLIA RODRIGUES (1920-1999)
Faz hoje dez (10) anos – 06/10/2009 – que partiste.
Recordo-me – como se fosse hoje – aquele dia em que nos conhecemos. Apanhavas flores em Monsanto-Lisboa.
O que falamos, só nós dois é que sabemos…
Naquele dia, eu “ensaiava “ a saída da adolescência com tudo o que isso tem de titubeante. Um dia que jamais posso esquecer.
Hoje, todos os meios de comunicação falaram de ti. Uma “multidão” de admiradores e pseudo- admiradores, recordaram e, tornaram publico, o que tu significas para eles.
Porém, eu não estive presente em qualquer dos eventos que fizeram em teu nome.
Ainda assim, senti que lá do Céu observaste, atentamente, o que eles estavam a fazer por ti.
Sabes que eu estou sempre sozinho e, mais uma vez, vieste ao nosso encontro a dois.
Tu sabes que eu não teria imaginado as coisas novas que me ensinaste se a nossa amizade não fosse tão especial.
Um verdadeiro amigo não é o que se põe em “bicos-de-pés” para usar o nosso nome. É alguém que, no seu silêncio recolhido, pensa em ti quando não estas aqui.
Eterna saudade
Paulo
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10/06/2009 11:34:00 PM
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22 Setembro 2009
LEGISLATIVAS - 2009 - a indignação
Muitos dos protagonistas do referido espectáculo, exaltam as virtudes da democracia mas, conhecendo-lhe o passado no que concerne à “governabilidade” do País, logo recordamos inúmeras situações ilícitas onde os seus nomes fizeram “eco” na opinião pública.
Ainda assim, a retórica de tais protagonistas – quando se dirigem ao soberano povo - em momentos que antecedem às eleições, segue uma lógica de sedução que funciona como uma sofisticada “armadilha” para “caçar” parte do eleitorado e “branquear” o passado dos seus actos.
Tudo isto é motivo, mais do que suficiente para indignar os eleitores.
Mas porque motivo não se indignam, energicamente, os eleitores?
A verdade é que o soberano povo português esta acostumado a pensar na indignação como sendo um sentimento condenável: ódio, desejar o mal para outrem, ira, etc.
Talvez tal sentimento tenha alguma conotação com a interpretação que o povo português - maioritariamente católico – faz das escrituras sagradas catapultando-o, por isso, para enternecedores silêncios, resignação e medo .
A ser verdade, trata-se de um grave erro!
No meu entender a indignação pode ser uma atitude não apenas aceitável, mas absolutamente necessária para que certas situações sejam transformadas. Sentir indignação significa reagir diante do mal, não ficar passivo e indiferente, protestar activamente contra aquilo que atenta contra a verdade, contra a justiça, contra a dignidade humana.
Vivemos num país marcado por escândalos, clamorosas distorções, deturpação de expectativas, perda de direitos adquiridos … e ficamos calados.
É preciso que se saiba que com o nosso silêncio estamos a contribuir para que um certo estado de coisas (desemprego, criminalidade, violência, desigualdades sociais, descriminação, etc…), altamente nefastas, se perpetue, aumente e pareça normal.
Nas próximas eleições legislativas o povo vai votar. Este é um dos momentos mais propícios para manifestar a indignação. Espero que no momento do preenchimentos do boletim de voto, os eleitores não o façam em função do espectáculo da campanha eleitoral e das “estudadas” manobras de sedução dai resultantes, mas sim em função do perfil do candidato – se existir - que, em consciência, lhes ofereça maior confiança.
A abstenção é uma forma de silêncio, resignação, indicador de ausência de contributo cívico, pelo que todos devem votar, ainda que em branco.
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9/22/2009 11:56:00 PM
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22 Agosto 2009
" FÉRIAS/2009 - O SUPLÍCIO DAS ROSAS "

Chegaram ao fim as minhas férias/2009.
Algures nas areias das praias do Algarve-Portugal, chamei em meu auxilio alguns prazeres “apetecíveis” e com os quais, paradoxalmente, experimentei um tédio tal que me senti “morrer”.
Aprendi que, afinal a tristeza existe no fundo dos prazeres, tal como, na areia de todas as praias, existe água salgada.
Logo no segundo dia de férias a minha alma, já exaltada e frenética, experimentava um misto de secura absoluta nos seus afectos e a vontade de me catapultar para os “braços” dos fúteis “amores de Verão”.
Confesso que nos dias subsequentes, movido pela “centelha” impetuosa da aventura, “bebi” um pouco de todos os prazeres mas, ainda assim, senti-me velhíssimo, apesar da minha extrema juventude física, trabalhada na solidão dos ginásios e nas correrias desenfreadas para apanhar o autocarro.
Certa noite, não resisti aos apelos de um convite e, por isso, estive numa festa privada que visava recriar quotidianos históricos sob o tema “suplicio das rosas”.
Já na festa, surge, subitamente, a grande panóplia de púrpura que se abria e deixava cair do tecto uma chuva, uma chuva fina, perfumada e poética, de rosas e de verbenas. A principio os convivas, e eu, ficamos “transfigurados” de admiração e exaltava-mos a sumptuosidade da festa.
Porém, à medida que a chuva ia caindo, caindo sempre, implacavelmente, uma sombra de inquietação começava a desenhar-se no meu “espírito”. Decididamente eram flores e perfumes demais. Nesta confusão, Lembrei-me da Mariana, uma miúda da adolescência que, longe de festas e na aridez escaldante dos montados do Sul… me permitiu o primeiro beijo.
Finalmente, embriagado por tantos perfumes, tendo como “mortalha” o lençol de verbenas, a avalanche das rosas, aparentemente suaves, não eram mais do que rosas “envenenadas”.
Depois a festa acabou. De regresso ao acampamento, voltei a recordar-me da Mariana e, murmurando para os meus “botões”, pensei: afinal…, amar um amor em que os sentidos imperam é sempre, sempre, sempre, sofrer de insatisfação.
Na verdade este “suplício das rosas” renova-se todos os dias, tantas vezes quantas cedemos à inexperiência na errada convicção que podemos dominar o Mundo.
Mas, bem pensado, se me tenho entregue, sem reservas, aos ditames dos impulsos desprovidos de razão, melhor festa não teria.
Agora que as férias acabaram e voltei às planícies ora douradas do Sul, uma certeza ficou: nunca perder a noção da proporcionalidade.
Paulo
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8/22/2009 04:57:00 PM
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25 Julho 2009
"ORTOFRENIA"

"Aclamações"
«dentro do edifício inexpugnável
aclamações
por já termos chapéu para a solidão
aclamações
por sabermos estar vivos na geleira
aclamações
por ardermos mansinho junto ao mar
aclamações
porque cessou enfim o ruído da noite a secreta alegria por escadas
de caracol
aclamações
porque uma coisa é certa: ninguém nos ouve
aclamações
porque outra é indubitável: não se ouve ninguém .»
(Mário Cesariny, in "Planisfério" )
NOTA: Agora vou de férias.
A todos os que, entretanto, por aqui passarem, o meu muito obrigado.
Paulo
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7/25/2009 07:40:00 PM
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14 Junho 2009
" O "ROCHEDO" ... "
Entristece-me o facto de tudo se modificar à nossa volta e ainda existirem “vendedores de sonhos” a ocuparem lugares “chave” onde se decide o destino de um Povo.
Hoje não se sabe onde começam e onde acabam as liberdades dos outros, susceptíveis de limitarem a liberdade de cada um.
Em certos círculos, parece ter sido imposto um certo “regime” com o propósito de ocultar e/ou confundir as ideias. Os menos atentos são “varridos” pelo agitar de promessas, números – e contraditórios – que roçam o insulto, quando não se cai nele rotundamente.
Perante este cenário, o normal funcionamento das instituições tornou-se insustentável. Hoje tudo se acha sujeito a discussão e a revisões.
Considerando que a liberdade dos outros abrange – entre outros aspectos – o respeito pela vida, integridade física, bom-nome e pela propriedade, importa, então, saber:
Até que limite a liberdade de cada um, ao emitir livremente as suas opiniões, não poderá ofender gravemente a liberdade dos outros quanto ao respeito de credos religiosos, de costumes, conduta moral, etc…
O Estado, em nome do interesse público, tem julgado importante impor a restrição a uma panóplia de direitos adquiridos e cerceamento das liberdades, com interferências perturbadoras nas convicções dos cidadãos no que concerne à confiança destes nos órgãos de soberania.
Enquanto as instituições não assentarem num determinado número de regras indiscutíveis e inatingíveis, só se pode estar perante uma anarquia, com todas as consequências dai resultantes.
É inadmissível – quando a lei é igual para todos – que a pequena criminalidade -pequenos furtos/roubos – tenha um tratamento célere por parte dos tribunais e que a grande e hedionda criminalidade consiga “travar”, de forma escandalosa, a acção da justiça quando estão em causa a função, estatuto, de certos suspeitos e/ou arguidos que amordaçam impunemente os pressupostos de um Estado de Direito Democrático e os princípios mais elementares da ética, justiça, equidade.
Agora sabemos que não é difícil o progresso… pelo contrário, o que é difícil é destruir o “rochedo” batido por toda a opinião publica, por todos os que lutaram pela igualdade perante a lei, mas que, teimosamente, se mantém de pé e que – para espanto de todos – nenhum “furação político”, ou revolução popular, conseguiram vencer.
“Rochedo” que, penso, se prepara – limpando e arejando as suas engrenagens e roldanas – para influenciar os destinos de um Povo, antes, e após, as eleições legislativas e autárquicas.
Nas últimas eleições ficou provado que os que levam a vida a narcizar-se, a organizar manifestações, desfiles, cerimónias de apoteose, já não conseguem hipnotizar os que despejam nas urnas – de forma secreta, não vá o diabo tece-las – a sua própria vontade e liberdade interior.
PAULO
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6/14/2009 04:22:00 PM
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16 Maio 2009
"FRAGILIZADOS VALORES DA ÉTICA E DA MORAL..."
Os preceitos religiosos e as normas éticas, deixaram de ter um significado pleno e inequívoco o que causou um enfraquecimento na sua subordinação valorativa. Assim os comandos religiosos - que fundamentavam as regras morais que estavam enraizadas nas mais diversas sociedades - deixaram, na pratica, de derivar de um bem tido por absoluto caindo nas “garras” de uma visão economicista da fé .
Em face do exposto, os valores da ética e da moral encontram-se fragilizadas na sua “razão de ser”. Passaram a ser meramente utilitaristas quando não se mostram muito flutuantes e/ou incapazes de coincidir com o «mínimo ético», absorvido pelo direito.
Agora é preciso perceber o novo paradigma civilizacional: desprovido de um sistema de valores, religioso e ético, consistente.
Hoje já não há certezas de verdades absolutas nem tão pouco de certezas quanto ao futuro, à instituição família, à orientação sexual, aos afectos, ao bom nome, à honra, à dignidade da pessoa humana e, sobretudo, ao preço a pagar pela liberdade de expressão.
Apesar do esforço cultural dos povos, das “auto-estradas” de comunicação, das promessas de certos quadrantes políticos, a verdade é que ao actual quadro de valores existente já não presidem os tais “luzeiros” - ético e religioso – alegadamente intemporais e imutáveis. A integralidade da subordinação valorativa nos planos religioso ético e moral, esta cada vez mais inacessível ao homem degradando, assim, a beleza eterna a que aquele tanto aspirava.
Nestes últimos tempos é notória uma espécie de “corrida” do homem que, persistentemente, deambula por quotidianos pejados de “armadilhas”, numa derradeira tentativa de recuperar os valores que, por sua por negligência ou traição de outrem, perdera.
Entretanto muitos “vendedores de ilusões”, hão-de aproveitar-se, para benefício próprio, da actual fragilidade daqueles que sempre foram vitimas dos usurpadores da vontade.
“Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!”
(Mário Quintana)
Paulo
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Paulo Sempre
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5/16/2009 07:17:00 PM
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07 Maio 2009
" A PALAVRA DOS POLÍTICOS"
No "orvalho" das palavras dos políticos – em discursos de ocasião de vésperas de eleições - há «arco-íris» travestidos. Por vezes sinto-os como "uivos" de lobos a tocar presságios antigos, outras vezes como enternecedores apelos, chamamentos, sinais...como se eu ainda tivesse todas as fragilidades da incerteza e/ou o deslumbramento da novidade....
O "eco" dos "gritos" da liberdade ancorados no meu peito, continuam a traduzir todo o caos de um passado pejado de ausências, expectativas, promessas e silêncios redondos, que, paulatinamente, desmoronaram os valores mais sofridos da minha Pátria amada mais que quantas.
Cresci a crédito, algures em terras Lusas e embarquei em frases do tipo daquelas que os meus pais embarcaram: «sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em pouco tempo (Oliveira Salazar)”.
Entre sonhos e realidades - que entretanto me forjaram o carácter e me algemaram em "abrigos" de "betão armado" - . “Dei” aos políticos todo o tempo do mundo mas, infelizmente, nunca tive a certeza do "azimute" das suas verdadeiras intenções.
Quando tentei entender os discursos de ocasião – vindos de púlpitos ornamentados com símbolos da Pátria - Confundi-me vezes sem conta com a linguagem politicamente correcta(?) que ecoavam no meu espírito humilde e devoto.
Andei, mas em vão, "perdido" e sem "norte" numa desalmada procura de respostas daqueles que anunciavam o " bem-estar" mas acabei por me perder entre labirintos cruéis e quotidianos sedentos de sonhos e devaneios.
Ainda assim, salvaram-se a firmeza das minhas próprias ideias e um “olhar” desinteressado para a “obra” dos políticos. Tal “salvamento” catapultou-me para fora do pântano do «simplex» das ilusões.
Mas… um certo meu "medo" ainda paira no horizonte; pois não expurguei todos os "fantasmas" dos bairros pobres onde, cabisbaixo, calcorreei ao encontro do "arco-íris".
Afinal…, quando esperava encontrar analogias de mim e “gaivotas em festa”, encontrei gente depravada, sociedades secretas, tráfico de influências e, sobretudo, muita desumanidade.
Não é difícil inventar o progresso... fundado em verdades de "plástico" pelo contrário, o que é difícil é as pessoas conservarem-se dignas de confiança e estima por força da sua autenticidade, serem o rochedo batido por todas as tempestades, mas que, ainda assim, ficam de pé e que nenhum furacão pode abalar.
Hoje, mesmo sabendo que o egoísmo tudo submergiu, ainda espero encontrar um político isento de subterfúgios ou palavreados desembrenhados de dogmas - como fonte épica de poesia - para merecer, de facto, a minha confiança e estima.
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5/07/2009 02:56:00 AM
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03 Maio 2009
"3 DE MAIO - DIA DA MÃE"
Parabéns mãe! Hoje é o teu dia. Ainda assim eu tenho que te dizer algumas coisas: tenho verificado que as crianças mais neuróticas são as que têm tido uma rígida educação religiosa. Facto incompreensível na medida em que as crianças já não são, como outrora. Não são fruto do acaso. Elas – devido aos métodos contraceptivos – deixaram de ser um subproduto da actividade sexual dos seus pais e tornaram-se um puro produto, pensado pelos pais, nesta sociedade de consumo. Um produto sem defeitos, eficiente e fonte inesgotável de satisfação. Hoje tenho amigos que continuam superprotegidos pelas mães que construíram à volta deles uma espécie de um útero virtual extensível até ao infinito e, com ele, satisfazem-lhes todos os seus caprichos. E é justamente isso que não se deve fazer!Mãe, neste teu dia recordo-te aqui o diálogo que tive com o meu professor de religião e morar – que anunciava a doutrina do cristianismo na escola – quando eu tinha nove anos:
Professor: Quem é Deus?
Eu: Não sei, mas a minha disse-me que se eu for bom vou para o céu e se for mau vou para o inferno.
Professor: E que espécie de lugar é o inferno?
Eu: Todo escuro. O inferno é ruim.
Professor: Estou vendo. E que espécie de gente vai para o inferno?
Eu: Gente ruim: os assaltantes e os homens que matam pessoas.
Porém, quando o professor me pediu para que lhe descrevesse Deus para ele eu não o consegui fazer: disse que não tinha ideia da aparência de Deus, mas que gostava muito dele, amava-o.
Mais tarde compreendi que, afinal, eu gostava de um Deus que não podia descrever e que jamais tinha visto, estava usando, por isso, uma expressão destituída de significado, convencional. A genuína verdade é que temia Deus apesar de nem o saber descrever.
A instrução religiosa e outros obstáculos, condicionantes da liberdade das crianças, causam danos psicológicos irreversíveis que acabam por condicionar o crescimento emocional e a condição de adulto em quotidianos adversos.
Sabes mãe, eu não tenho culpa do pecado original e de que, por causa dele, tenhas dores de parto.
Podes-me dar o teu amor, mas não os teus pensamentos. Afinal eu já sou grande – sábias? - e tenho os meus próprios pensamentos.
Apesar de tudo, hoje é o teu dia, mãe. Por isso não deixei de trazer as flores do costume como forma de agradecer a saudade do teu colo e a felicidade que sentia quando me afagavas o rosto lá na planície árida do Sul de Portugal, entre a sinfonia do canto das cigarras e a extinção dos meus primeiros “dentes de leite”.
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5/03/2009 11:13:00 PM
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24 Abril 2009
"25 DE ABRIL DE 1974.....35 ANOS"
«Revolução dos Cravos é o nome dado ao golpe de estado militar que derrubou, num só dia, sem grande resistência das forças leais ao governo - que cederam perante a revolta das forças armadas - o regime político que vigorava em Portugal desde 1926. O levantamento, também conhecido pelos portugueses como 25 de Abril, foi conduzido em 1974 pelos oficiais intermédios da hierarquia militar , na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Considera-se, em termos gerais, que esta revolução trouxe a liberdade ao povo português (denominando-se "Dia da Liberdade" o feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução)»
"A verdadeira liberdade é um acto puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão." (Massimo Bontempelli)
Paulo
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4/24/2009 05:14:00 PM
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18 Abril 2009
CORRUPÇÃO EM PORTUGAL
É preciso uma firmeza inquebrantável daqueles que, desinteressadamente ainda investigam em Portugal, para atingir resultados mínimos no combate à grande corrupção. Para alcançar alguns resultados é necessário que o investigador catapulte para segundo plano a família, os amigos, a integridade física, e a carreira profissional.
Penetrar no mundo da grande corrupção com o intuito de combatê-la é, quase sempre, uma "batalha" perdida.
Enquanto o cidadão comum e humilde se preocupa com a ética, deontologia, disciplina, valores, princípios, visando o normal funcionamento das instituições, há outros cidadãos que, pelo lugar que ocupam ou pelo seu carácter doentio, se preocupam a decorar a seguinte "lição":
«Nunca te esquecerás de que a ética Kantiana é uma teoria impraticável e que são o poder e a ambição que ditam todas as acções dos homens.
II. Terás sempre em atenção que deves usar o teu poder para servir os que ainda estão acima de ti e para seres indispensável aos que estão abaixo de ti.
III. Jamais terás dúvidas de que o dinheiro que geras para ti e para os teus é o melhor atalho para consolidar e aumentar o teu poder.
IV. Realizarás todos os teus actos na sombra, em silêncio, sem testemunhas. Longe de documentos e especialmente ao largo de telemóveis.
V. Procurarás nunca desapontar os teus amos e nunca renegar os teus cúmplices, especialmente se estes forem família, ou tiverem tido acesso à tua intimidade.
VI. Estarás sempre vigilante em relação aos que te invejam e aos que, por formalismos legais ou por suspeita, querem fiscalizar as tuas acções. Encontrarás meios para os desacreditar ou, em último caso, os eliminar.
VII. Construirás diariamente uma teia, com fios feitos por líderes que graças a ti treparão mais alto, por funcionários que de ti tirarão benefícios, por empresas que através de ti chegarão ao lucro, e por novas entidades que deixarás os teus lidarem.
VIII. Deverás estar atento a todas as oportunidades de mercado, sabendo que elas são infinitas, e estudarás especialmente as novas formas de negócios, ou seja, o modo de as usares a teu favor.
IX. Serás cirúrgico e asséptico no modo de contornares as leis, os regulamentos e os códigos, e atrairás a ti os melhores especialistas para te ajudarem a camuflar e a fazerem desaparecer todos os traços das tuas actividades.
X. No caso extremamente improvável de seres apanhado, gritarás inocência até ao fim, marcarás conferências de imprensa para proclamares teu horror e quando te confrontares com a tua consciência, dirás a ti próprio que fizeste tudo para bem do povo e dos seus representantes.»
Os desvios e as ambiguidades criadas à justiça, tornaram o quatidiano um autentico "barril de pólvora". A degradação do sistema político e das instituições públicas hão-de levar o Povo à revolta mas, entretanto, como sempre, os culpados fogem quase sempre a tempo...
Paulo
Postado por
Paulo Sempre
às
4/18/2009 11:08:00 PM
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