28 Agosto 2006

"A CASTIDADE E CONTINÊNCIA VISTAS À «LUZ» DA MEDICINA"


O que disseram os doutos especialistas sobre a castidade e continência:
Drº Xavier Francotte «A continência é possível e a lei divina, prescrevendo-a até ao casamento, não ordenou nada que esteja em contradição com as leis fisiológicas...e cita o Drº Fournier, da Academia de Medicina, especialista de doenças venérias:«tem-se falado com pouca verdade e consciência dos perigos da continência para rapazes. E se eu vos disser que não conheço esses perigos, e que, como médico, ainda os não verifiquei, se bem que me não tenham faltado casos para estudar a matéria!?».
Drº Bealde, professor do Cólegio Real de Londres « A virgindade dos jovens é simultâneamente uma salvaguarda física e uma salvaguarda moral e intelectual, sendo necessário procurar a todo o transe conservá-la...É facto observado que, tanto em higiene humana, como em zoctecnica, a continência é uma condição de prosperidade nutritiva».
Sir James Paget, médico da Corte de Inglaterra «A castidade não prejudica nem o corpo, nem a alma: sua disciplina é excelente...».
Drº Surbled « Os males da incontinência são conhecidos, incontáveis; os que a continência provocaria são supostos, imaginários. É uma prova disto o facto de haver numerosos trabalhos, doutos e volumosos, consagrados à exposição dos primeiros, ao passo que os outros esperam ainda o seu cronista. Não existem a este respeito, senão vagas afirmações, que se escondem tímidamente nas conversas, mas que não suportariam a luz clara do dia».
Drº G. H. Naphez «condenamos energicamente, como uma doutrina das mais perniciosas, feita para servir o mal e encorajar a pior espécie de vício, a teoria que pretende que possa vir qualquer prejuízo dum celibato castamente mantido».
Drº Toulouse «Os numerosos exemplos de nomes dedicados a trabalhos físicos e intelectuais absorvem, e ao mesmo tempo fíeis à ideia religiosa e tendo ficado castos uma vida inteira, sem perturbação fisiológica aparente, são absolutamente demonstrativos».
Drº L. Delattre, Inspector de Higiene «Longe de ser contrária à conservação da saúde, a continência constitui uma das garantias mais seguras de actividade sã e viril...Um jovem pode estar certo de encontrar na castidade a garantia duma energia vital, que ele não poderia atingir na incontinência. Estes factos, garantidos pela medicina e pela experiência, devem ser afirmados como energia».
O R. P. Vermeersch, S. J. «A castidade e a continência, em si mesmas, não são de forma alguma prejudiciais à saúde. São tantos os médicos e os psicologistas de valor a atestá-lo, que os raros contraditores podem ser considerados como uma percentagem desprezível. Aqueles que, com o pretexto da saúde do corpo, atacam a continência, ou (o que tantas vezes acontece, infelizmente) dão conselhos imorais, devem ser condenados, precisamente em nome da verdadeira ciência».
Ora o vasto acervo de provas cientificas referidas pode ser uma boa «arma» para motivar os candidatos à castidade e continência. será?
Paulo

27 Agosto 2006

"GENERAL ANTÓNIO DE SPÍNOLA: «VEDETA GUERREIRA»


Desde os tempos de tenente de cavalaria, nos concursos hípicos de Cascais-Lisboa ou nas frentes de combate em que os «viriatos» se bateram valentemente em Espanha, sente-se que a grande preocupação de António de Spínola era não só tornar patente um desembaraço pessoal que pudesse ser discutido como associar-lhe essa arrogante, altiva, afectada e desdenhosa imagem de «vedeta guerreira»: queria ser invejado pelos seus iguais, temído pelos superiores, respeitado pelos seus subordinados, admirados por todos. Este projecto marcaria Spínola para sempre e condicionaria a sua formação de chefe: tanto lhe interessou parecer um grande cabo de guerra que se esqueceu de quando era realmente necessário para ser um grande cabo de guerra. Os cuidados da imagem acabaram por sobrepor-se às preocupações da essência - que deveria sustentar aquela e dar-lhe consistência - quedando-se apenas no ar, vazia de sentido e de substância, a aparência do que deveria ser um autêntico chefe.
O processo encaminhou-se assim inexoravelmente para uma via ao mesmo tempo demagógica e manípulavel: uma figura ôca, completamente desvinculada de qualquer realidade sólida, e disponível para ser ocupada por qualquer recheio que se pretendesse introduzir-lhe. O fenómeno, como é natural, não se tornou evidente enquanto couberam a Spínola funções sobretudo de executante ao serviço de ideias e decisões alheias, enquanto se requeria fundamentalmente certo desempenho físico e o monóculo ou o pingalim mantinham todas as suas virtudes catalizadoras de popularidade e dedicação. Quando Spínola se viu na necessidade de elevar a nível de general e de governante a imagem do tenente-coronel de cavalaria que se batera com valentia em Angola, começou a desmoronar-se a figura com tantos cuidados construída.
Só alguns anos depois se tornou estrepitosamente claro o fracasso, quando foi impossível dissimular por mais tempo a fragilidade intrínseca da máscara de energia e decisão que Spínola afivelara, quando se tornou tragicamente patente, naquele ídolo, nem só os pés eram de barro...Mas o descalabro, como se compreende, começou antes; pode até marcar-se-lhe com precisão o ponto de partida: em Maio de 1968, recente oficial general, Spínola enfrentava-se com a situação crucial que ia pôr à prova a validade e solidês da sua imagem de vedeta, ao ser nomeado comandante-chefe e governador da província da Guiné. Aí, nesse velho solar português de cinco séculos, onde ressoavam ainda os nomes de chefes militares como Artur de Paivas e governantes como Honório Barreto, se ia jogar a sorte de uma vaidosa ambição pessoal; desgraçadamente essa ambição arrastaria na sua queda a sorte de todo o País.
Não é fácil para qualquer portugês pensar sem humilhação, sem sentir como própria a vergonha da dramática mas inevitável conclusão, que um general português, levando ao peito a marca dos hérois, a velha insígnia militar do «valor, lealdade e mérito», a traiu tragicamente, deixando-se afundar com a Pátria - sem glória e sem honra.
Paulo

25 Agosto 2006

"PRECE:...MAS QUE EU MORRA EM PORTUGAL..."


Talvez que eu morra na praia
Cercado em pérfido banho
Por toda a espuma da praia
Como um pastor que desmaia
No meio do seu rebanho.

Talvez que eu morra na rua
E dê por mim de repente
Em noite fria e sem luar
Irmão das pedras da rua
Pisadas por toda a gente.

Talvez que eu morra entre grades
No meio de uma prisão
Que o mundo além das grades
Venha esquecer as saudades
Que roem meu coração

Talvez que eu morra no leito
Onde a morte é natural
As mãos em cruz sobre o peito
Das mãos de Deus tudo aceito
Mas que eu morra em Portugal.

(Alain Oulman/Pedro Homem de Melo)

«Em cada grito de cada homen, em cada grito de medo soltado por uma criança, em cada voz, em cada anátema, ouço o ruído das correntes que forja o espírito.» (William Blake)

23 Agosto 2006

"ULTIMATO E CEDÊNCIA E OS MÍSSEIS RED EYE"


"Ugente secreto"
13/10/1973

Documento que constituiu um verdadeiro ultimato dos Estados Unidos a Portugal no sentido dos Estados Unidos utilizarem a base nas Lajes (Açores) para o transporte de material e de equipamento destinado ao estado de Israel num conflito israel-árabe, rezava assim:
" Caro Senhor Primeiro-Ministro - Marcelo Caetano - : este é um momento difícil para a paz mundial e para as relações entre Portugal e os Estados Unidos. O que nós estamos a fazer visa contribuir para o fim das hostilidades e para uma paz dúravel no Médio Oriente, mas precisamos da vossa cooperação. O nosso encarregado de negócios explicou o que requeremos. Não podemos estar agora a regatear convosco na base de hipotéticos resultados que poderão advir da vossa cooperação. Não podemos fornecer-vos as armas especificamente pedidas pelo vosso Ministro dos Negócios Estrangeiros. Se forem ameaçados pelo terrorismo ou por um boicote de petróleo em resultado da vossa ajuda à paz mundial, estaremos dispostos a consultas bilaterais sobre as medidas que juntos podemos tomar. Eu ficaria muito grato pela sua reflexão pessoal e cuidadosa acerca do que lhe exponho e do nosso problema comum. Sabe que o tempo é importante para ambos. Devo dizer-lhe com franqueza, Senhor Primeiro-Ministro, que a sua recusa em ajudar neste momento crítico força-nos-à a adoptar medidas que não deixarão de prejudicar as nossas relações. Se tivermos de procurar rotas alternativas, isso será um factor a recordar caso as contingências a que se refere o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros se verificarem. Faço-lhe este pedido a si, pessoalmente, Senhor Primeiro-Ministro. As melhores saudações.Sinceramente. Richard Nixon - 13/10/1973"*
A resposta de Marcelo Caetano foi possitiva (cedência).
Por outras palavras, esta missiva presidencial, que Kissinger reconheceu mais tarde invulgarmente dura, recusava a Marcelo Caetano o equipamento militar tão necessário para a guerra na Guiné - os mísseis Red Eye -.
Do ultimato feito a Portugal pelos Estados Unidos o curso das relações bilaterais acentuou a indiferença de Nixon cada vez mais inferiorizado perante o Congresso devido ao Watergate - e levou Caetano ao exaspero. É certo que o uso dos Açores na ponte aérea de socorro a Israel granjeou apoios circunstanciais a Portugal, sobretudo entre o poderoso Lobby judaico.
Mais tarde.
Caetano a Nixon:
"Não lhe escondo, Senhor Presidente, que a opinião pública portuguesa está hoje convencida de que os Estados Unidos abondonam os países amigos".
E em 2006?
*Fonte:"Nixon e Caetano" de José Freire Antunes (circulo de leitores)
Paulo

21 Agosto 2006

"PROSTITUTA: - ESTRANHA FORMA DE VIDA -"


Posto o sol da esperança
O medo acaricia-lhe os olhos
Ao espelho as meias pretas
Atenuam-lhe as nódoas roxas dos cifrões

Mulher sem ventre
Corpo a monte sem passaporte
Sabes do cio o inverno precoce
As grutas inundadas por mar alheio
Os adjectivos espancados
E os beijos sem seiva

No teu corpo
Há neblina perfumada de fantasia
O segredo e o ódio
Talvez vagas de esperança
Mas quando o teu corpo dá à costa
Já em terra o peixe é fresco
E o lugar comum de estar só está de volta.

Paulo

19 Agosto 2006

" GUERRA - A FÉ JÁ NÃO POSSUI HOJE DINAMISMO..."


Todo o movimento que não é inspirado por uma ideia elevada não é suficiente para levar ao combate um homem só que seja.
Não podemos hoje compreender os mártires que se laçaram na arena, num êxtase que os empolgava já acima de tudo o que era humano, acima de todo o sentimento, da dor e do receio. A fé já não possui hoje dinamismo...
Se um dia chegar em que não se possa compreender como um homem podia dar a vida pelo seu país, então tudo terá acabado. A idéia de Pátria estará morta. E nesse dia, talvez tenham inveja de nós, como nós invejamos os santos pela sua força profunda e irresistível.
Nada há como as cerimónias religiosas e as cerimónias militares, para fazer exaltar as multidões, cuja a alma vibra mais intensamente sob a acção de suas músicas: a voz dos sinos e o som dos clarins.
A política de salão e o alto clero, por vezes, "trituram-nos" com tais "cerimónias"... talvez para que possamos morrer com a ilusão da dignidade.
Entretanto, em salões dourados, vendem-nos a alma e a razão e, a «musica»,essas..., cá fora, alegra o povo...
Onde fica a liberdade e a dignidade da pessoa humana...?
Onde fica o Vaticano e os direitos do homem?
Onde fica a "palavra de honra"?
No naufrágio universal das crenças que destroços onde possam agarrar-se ainda as mãos generosas?
Que fé terão os Senhores do clero e da política nas suas maravilhas e como seguem a sua lei na vida?
Paulo

16 Agosto 2006

"A FACE SECRETA DO CRIME"


Lidamos, todos os dias, com a "face secreta do crime". Na imprensa. Na rádio. Na televisão. Está presente diante dos nossos olhos, sem que na maioria das vezes nos apercebamos dela. Pergunto: Sabem qual é a face evidente do crime e qual a secreta?
A secreta á a outra. A escondida. A esquecida. A ignorada muitas vezes pelos julgadores e investigadores que se contentam, para pena minha, em observar aquela que é fotografada de frente e de perfil nos registos criminais.
Só esta é considerada. Medida nas penas. Valorada nas estatíticas. Do lado de lá, no reverso da moeda, fica a outra, a face secreta do crime. Sem ninguém que a biografe desde a infância. Sem psicólogos suficientes para estudá-la a fundo. Sem técnicos que analisem o material de que é feita, os cadinhos em que foi caldeada.
Do outro lado das grades, na porta do vizinho do vosso quarto, ou no berço dos vossos filhos, pode estar a ser cunhada uma moeda de duas faces, onde uma delas é falsa e vai entrar na circulação do mundo do crime.
O crime está condicionado à personalidade do ser criminal. Podem os motivos ser de natureza constitucional, através da hereditariedade, congénitos, determinantes, ou ao mesmo tempo realizadores e provocantes.
Compete a todos nós dedicar-lhe o estudo científico da personalidade, antes de o indivíduo se tornar delinquente, para poder analizar as tendências da sua acção criminal e as consequências sociais que poderá vir a acarretar o seu comportamento.
No âmbito do meu estudo fui visitar algumas cadeias e convivi com reclusos, observei que cada caso é um caso.
Encontrei homens que provinham dum meio económico abastado e educado, outros estigmatizados pelas dificuldades duma infância carente e difícil e em todos eles não havia dados comuns que os levasse à situação criminal.
Até quando os crimes cometidos eram iguais, o despoletar da situação extrema, era variável.
Todos aqueles, como eu, que estudam o crime, quer histórica e cronologicamente, quer aplicando-lhe teorias cientificas, reconhecem, honestamente, encontrar nas origens um mundo em constante mutação.
Os especialistas em biocriminogénesis e sociocriminogénesis se confessam impotentes para explicar os crimes psicopatológicos e o aumento da criminalidade juvenil e infantil.
O que continua por entender é a outra face do cérebro do "homem-criminal" que nada tem a ver hoje com o "homem-criminal" de Lombroso.
Os juristas e os penalogistas interrogam-se acerca do poder intimidatório das penas. Penas maiores exigem maior tempo de reclusão e as cadeias, na minha opinião, não curam, corrompem.
Se a sociedade pretende redimir-se e encarar a diminuição do aumento da criminalidade, tem de aceitar que, no presente, na hipótese de atirar a moeda ao ar para obter a seu favor a face do lado do Bem e da Ordem Social, a probabilidade é muito diminuta; pois enquanto se mantiver o tempo de antena do Mal, a violência e a droga dispõem, a mais provável de cair virada para cima...é "a face secreta do crime"!
Quase diariamente os meios de divulgação noticiam crimes horríveis, inexplicáveis de motivação, que me leva a tentar, cientificamente, descobrir a face secreta do crime.
Será que vou conseguir???
Paulo

15 Agosto 2006

" FÁTIMA DESMASCARADA III "


Causa espanto ver como pessoas da mais elevada categoria aclesiástica apresentam como verdadeiros os prodígios absurdos e grotescos a ponto de se nos tornar impossível absolvê-los de insinceridade, para não usar de outro termo, atendendo, sobretudo, a que muitos sairam pela primeira vez da pena dos mesmos que no-los relatam.
«A verdade é sagrada e nunca deve ser atraiçoada» (Papa João XXIII -06/11/1958).
Para mim a história moderna de Fátima não resiste a uma crítica séria.
Aquilo a que imprópria e abusivamente se deu o nome de «dança do Sol», não passou dum fenómeno meteorológico naturalíssimo, que poderá repetir-se em qualquer lugar, desde que se verifiquem as condições atmosféricas existentes na Cova da Iria cerca das 15 horas do dia 13 de Outubro de 1917.
É verdadeiramente espantoso que no Século XXI, haja pessoas (e, sobre algumas, pesam grandes responsabilidades) que, zombando de verdades cientificas, matemáticamente fundamentadas, se apresentem a defender, como facto históricamente verificado, uma dança executada por um Sol atacado de histerismo!
Em toda a Terra não pode existir um único homem de ciência, honesto e na posse das suas faculdades mentais, que defenda a opinião de que o Sol dançou na Cova da Iria em 13 de Outubro de 1917.
Prodigioso e ao mesmo tempo mesquinho o incompreensível se humano! Por um lado, à custa duma portentosa inteligência, guinda-se às culminâncias do saber; mas, por outro, abdica absurdamente da razão à falta de discernimento dos primeiros homens, sente a necessidade de ser ludibriado!
Mas se a «dança do Sol» foi assinatura de Deus nas aparições de Fátima, como se compreende que a Igreja esperasse treze anos para declarar oficialmente que as aparições tinham sido verdadeiras?
Sobre esta matéria falei, durante dias, - nas férias - com o sociologo das religiões, Professor Doutor Moisés Espírito Santo, presidente do Instituto de sociologia e Etnologia das Religiões da Universidade Nova de Lisboa que me disse: " Amigo Paulo...és ainda um «puto» mas um dia ainda vais compreender porque é que na era atómica e das naves espaciais ainha haja quem perfilhe aparições como a de Fátima, quando provas irrefutáveis negam a sua realidade. A Igreja atravessa uma hora de inquitação, de autocrítica, dir-se-ia de autodestruição. Os milagres e as aparições não são possíveis, pois tanto os primeiros como os segundos constituiriam uma correcção à obra de Deus".
Bom, o que interessa é que "curti" uma férias repletas de novos conhecimentos e algumas "diabruras" à mistura...agora é trabalhar, trabalhar e trabalhar...
Paulo
Parte deste texto foi retirado do livro "Fátima desmascarada" de João IIharco - Coimbra 1971". Livro com edição esgotada (não se encontra à venda).

06 Agosto 2006

"FÉRIAS...ATÉ BREVE....."

05 Agosto 2006

"OS JUÍZES «VERDADEIROS», ESSES INCOMPREENDIDOS..."


Eu não quero ser julgado por um juiz qualquer!

Não!
Como todos os meus concidadãos, mereço um juiz «verdadeiro».
Desses, que são sedentos por justiça, que franqueiam ao povo decisões justas, acertadas e rápidas.
Com paciência para examinar todos os documentos dos autos. Tolerantes ao ouvir as partes e interessados de verdade nas informações trazidas pelas testemunhas nas audiências. Desprendidos ao ponto de não ficar "viajando na batatinha" do saldo negativo da conta bancária, da prestação do carro e do imóvel financeiro, da mensalidade do cartão de crédito ou da escola dos filhos, quando tenham de se desligar dos problemas particulares e cuidar dos alheios.
Que não se curvam aos poderosos, porque igualmente são capazes de destinguir o delito do deslize e reprimem tanto àquele quanto ao menor dos delinquentes, na exata proporção da gravidade dos seus actos.
Um arauto da boa-fé e lealdade - digamos assim. Alguém de calor ético tão elevado, que não seja tentado pelo preconceito de imaginar a generalidade de Autores e Réus como vis contentores a perseguir com desenfreada mesquinhez o que a Lei não lhes assegure, que não seja deles.
Imagino um julgador sóbrio e dedicado, a encarnar em si mesmo a seriedade da instituição de que faz parte, cuja actuação profissional, vida pública e privada, irradiem respeitabilidade à sua volta. Produtivo sem descuidar da qualidade do seu compromisso inicial, como um agente economico dos mais sensatos.
Penso nele como um sacerdote, devotando todos seus cuidados à comunidade donde surgiu, amparando nas desavenças as ovelhas do seu rebanho sem qualquer preferência entre as mais diversas delas. Seu respeito pelo bem comum deve ser de envergadura tal a exigir-lhe sincero comprometimento com a resolução dos conflitos mais básicos. Com todos deve colaborar diariamente, dedicando-se com efectividade às premências da população, com quem trabalhará, dia após dia, na construção da almejada sociedade livre e soberana, como querem e precisam a Constituição e o nosso Povo. Onde os valores da cidadania aflorem, erradicando-se efectivamente a miséria, a marginalização e as desigualdades. De um País, enfim, capaz de oferecer ideias fundadas em valores humanísticos para suas crianças, tendo como alicerce a dignidade da pessoa humana.
Conhecedor das leis e zeloso dos valores que inspiraram sua existência. Sensível (como um músico um poeta, um artista), a ponto de saber extrair do facto social a necessidade do avanço legislativo. Arguto, para saber optar pela justiça quando a aplicação pura e simples da letra fria da norma acarrete injustiça ou opressão. Estudioso. Dedicado constantemente ao aprimoramento pessoal, para actuar com melhor qualidade. possuidor de farta biblioteca. frequentador assíduo de cursos, congressos, assembleias e reuniões. Que leia os jornais e as revistas, para não se afastar do mundo real.
É bom pensar nisso, pois amanhã qualquer um de nós poderá ser chamado às barras dos tribunais ou necessitar mover uma acção na justiça. Em último caso, talvés tenhamos até que reparar um dano com a própria força física.
Só assim se pode acabar com a justiça feita pelas próprias mãos dos envolvidos, com a lei do mais forte, do mais rico, poderoso ou mais esperto.

03 Agosto 2006

"O CRIMINOSO «ARREPENDIDO» -PRÉMIO PELA DELAÇÃO»


Não consigo entender que uma sociedade que cultiva os valores democráticos, e por isso e antes de tudo os valores humanos fundamentais, possa premiar o criminoso delator, possa negociar a perfídia em nome da justiça.
O prémio pela delação do arrependido suscita graves e complexos problemas jurídicos. Desde logo no que respeita à seriedade e atendibilidade do testemunho do arrependido e aos efeitos conexos, nomeadamente para a imagem da justiça, resultante da condenação que assenta no testemunho suspeito, e suspeito porque «pago», tendo como contrapartida o prémio, não prestado em cumprimento do dever cívico de coloboração com a justiça.
Mas não só. A negociação com o arrependido - bem assim com o informador - presta-se a «negócios» e por isso talvés que o instituto do arrependido tenha surgido nos EUA onde impera no processo penal o princípio da oportunidade.
Tenho para mim que o princípio democrático que inspira e legitima a nossa ordem jurídica não tolera, seja qual for o título, meios de investigação que passem pelo o arguido infamar-se a si próprio, ainda que a troco de paga, nem pela denúncia dos seus cúmplices e correlegionários. Eram métodos próprios dos sistemas inquisítórios.
Com os meios actuais preventivos e repressivos de que o Estado moderno se dotou é absolutamente inadmissível o recurso a tais métodos na investigação policial e processual.
Quantas vezes o prémio leva a que os cúmplices e correlegionários do «arrependido» façam justiça pelas suas própria mãos pois o Estado, após o «negócio», deixa o «arrependido» sem a protecção necessária para escapar à «raiva» dos que foram traidos...?
Há que travar este combate, que a função do jurista em democracia não é somente a de conhecer as leis que em dado momento o poder político criou. As leis são mutáveis, só os princípios permanecem.
PAULO

01 Agosto 2006

"O LOBO DAS NOVAS FLORESTAS"

Sempre uma máscara trágica
Nas pessoas verdadeiramente inteligentes
E os pobres de espírito sempre contentes

Mais do que solitários
Lobos das novas florestas
E o drama é o mesmo...
A decepção de tudo
O que se faz por acreditar
Família
Amigos
Humanidade
Palavra curiosa, humano
A significar por lei da razão
Exacta e precisamente o contrário
Do que se diz por aí aos simples

Marginal por que há o medo
De ser D. Quixote
E resta só
A máscara trágica
Para vestir todos os dias

Paulo
01/08/06