27 Janeiro 2007
" A MEMÓRIA..."
«A memória não é a ressurreição de imagens mais ou menos flutuantes como as do sonho; é um conhecimento ordenado. E os quadros nos quais ele se ordena vêm manifestamente da sociedade...
Não é nas memórias individuais mas nas memórias colectivas dos diferentes grupos que o passado se conserva. Cada um destes grupos, família, igreja, classe social, nação, etc., tem as suas recordações, as suas tradições, os seus aniversários; é nestes quadros que as suas tradições pessoais se organizam» (A. Cuvillier - Manual de Philosophie).
A verdade é que, hoje, são muito raros os espíritos que têm "memória". Apenas se limitam a observar os factos sem procurar explicá-los. Há uma tentativa de apagar a memória colectiva...esquecer o passado. Assim, o espírito humano sente a imperiosa necessidade de procurar as causas dos fenómenos, chegando mesmo, quando as não conhece, a inventá-las de preferência a resignar-se a não admitir nenhumas. A "arte" da política tende a substituir memórias antigas apontando, sob coação, alternativas onde, levados pela fantasia da política, os espíritos ficam prisioneiros de novas realidades onde já nem as palavras são a fortaleza do pensamento. A família, igreja, classe social, nação, etc..., perderam todo o sentido. As intuições "perderam-se", deixaram de nascer num momento, pois já não têm a motivação da memória . Hoje procura-se a inspiração simplesmente da exaltação, o que é injustificável. Já nem a fé ampara os que, perdidos, procuram a memória...,o passado, para explicar o presente.
PAULO
Postado por
Paulo Sempre
às
1/27/2007 11:38:00 AM
50
comentários
Links para esta postagem
20 Janeiro 2007
Amália, liturgia da alma nacional, na semiobscuridade do palco "ofereceu" canções de dor, carpindo a morte de crianças, a frustação do amor, as perguntas sem resposta, os desejos insaciáveis, lamentos antigos...
Amália, voz inconfundível em que projectamos os mais esquivos ou mais teimosos dos silêncios...
Amália, lembranças de troncos de brisa, de rios, de escarpas, de lonjuras de planícies, de abraços, de melopeias ardentes, alegrias súbitas, "terrores" antigos, relâmpagos de esperança...
Na sua voz, continua o "grito" da "alma lusa", a alma que é, afinal, a de toda a humanidade e que cabe, inteira, no abraço saudoso do seu nome...
Amália, sacerdotisa do fado, com uma inspiração que vem de muito longe e o seu alento, ainda hoje, varre as nossas emoções com alegria ou desespero, mesmo depois de se ter lançado no infinito dos que da morte se vão libertando.
Como esquecer este "signo" da inquietude que nos coloca, frente-a-frente com os auspícios do génio?
No dia 6 de Outubro de 1999, os anjos levaram-na a meio-da-noite...a caminho da eternidade e de "uma estranha forma de vida" ao encontro de Camões e Edith Piaf.
Até breve, Amália Rodrigues.
PAULO
PAULO
Postado por
Paulo Sempre
às
1/20/2007 02:13:00 AM
10
comentários
Links para esta postagem
"Quando me divorciei, em 1949, foi à revelia, já ele não estava em Portugal. Depois voltei a vê-lo, em África, quando lá fui cantar. Quando vinha a Portugal, ele vinha sempre visitar-me, até que morreu.
A rejeição é que me marcou, neste casamento. Nunca fui desconfiada na vida, nunca fechei nada à chave. A única desconfiança que eu tinha era de não acreditar que as pessoas gostassem de mim. Todas as minhas angústias, todas as minhas insatisfações, acho que tenho razões para para as ter. Desde que se sabe que há vida e morte, há angústia. Acho que não estou traumatizada. Penso assim porque sou lúcida. Mas também pode ser que esteja doida" (Amália Rodrigues - 1986, muma conversa com Vítor Pavão dos Santos)
Paulo
Postado por
Paulo Sempre
às
1/20/2007 02:13:00 AM
56
comentários
Links para esta postagem
13 Janeiro 2007
"ESCOLHA DE MAGISTRADOS..."
Na actualidade, o conhecimento das dificuldades que se deparam aos investigadores e julgadores, têm sido uma preocupação do poder político. Por isso, importa saber se, em tais casos, as circunstâncias não reclamam uma selecção de investigadores e julgadores, dotados das qualidades que lhes permitam resistir às pressões e violência de que possam ser alvo.
Sem dúvida que a escolha de magistrados pelo poder político faz correr o risco de suspeições de falta de imparcialidade. Mas as instituições modernas não têm hesitado em correr esse risco relativamente a muitas investigações e a alguns julgamentos. Não obstante todos os devios de direito a que possam prestar-se as instituições que permitem aos orgãos do poder político ordenar investigações, designar os inquiridores, ou constituir tribunais para julgar casos certos e determinados, a lógica dos ordenamentos jurídicos, sejam quais forem, reclama a presunção de que essas faculdades são exercidas objectivamente, em defesa do bem-comum.
Mas quando assim não for?. Quando assim não for... - diriam logo -, se terá procedido contra o direito.
A verdade é que « aviões da CIA», «Apito Dourado», «Casa Pia», etc... são casos em que o Estado, e outros Orgãos de soberania são «arguidos» e, a justiça, essa..., tarda. Os orgãos executivos, em Portugal, estão, de facto, suborninados às decisões do poder judicial? A interferência da administração mais ostensiva ou menos ostensiva, na actividade judicial, tem ou não presente os orgãos de comunicação social e «organizações» mais ou menos secretas e pejadas de interesses pessoais?
Há pessoas que, por introvertidas, ou por constantes atitudes de timidez, ou hesitação, se vêem privadas do reconhecimento das suas qualidades, de percepção, cultura, de honestidade até. Resta saber em que medida tais pessoas, não obstante disporem de qualidades assinaláveis, serão socialmente ajustadas à nomeação para ocuparem posições cimeiras. A estes, lamentavelmente, na sombra dos corredores, são-lhes "roubadas" as ideias que outros "vendem", como suas, no «mercado da arte política». São os "filhos de um deus menor"!
Paulo
Postado por
Paulo Sempre
às
1/13/2007 03:54:00 PM
54
comentários
Links para esta postagem
06 Janeiro 2007
"A SEGURANÇA RODOVIÁRIA..."
Por segurança rodoviária entendemos o conjunto de actos e normas que protejam pessoas e bens que circulem nas estradas. Julgo que não se pode, em termos de segurança rodoviária, dissociar o bem humano do bem material e só integrando os dois objectos no mesmo conceito, poderemos considerar a segurança rodoviária no seu verdadeiro, por ser total, valor de interesse Nacional. Segurar pessoas e bens num sector específico da sua actividade e no meio em que, cada vez mais, o país vive e se desenvolve e que é suporte prioritário e imperativo do desenvolvimento do seu presente e preparação do seu futuro, é tarefa em que, rapidamente, terá de se passar das boas intenções, profissões de fé, seminários de ocasião, comissões de estudo, fundações clandestinas, campanhas de esclarecimento, etc. São necessárias medidas concretas, leis oportunas e realistas, para se passar de uma excessiva produção de teorias e técnologias publicitárias, já estafadas e cansativas, à realização de medidas concretas - que não visem o lucro resultante das coimas das contra-ordenações ou dos processos crime - que transformem as nossas estradas em meios de vida e de riqueza e não em meios de morte e de destruição, que é o que, diariamente, são.
Sendo a vida humana o bem juridico mais protegido na ordem juridica portuguesa e no senso comum, como é possível que o pder económico tenha conseguido impedir a públicação de uma lei que obrigue a instalação de um aparelho "limitador de velocidade*" - actualmente obrigatório apenas para alguns veículos pesados - em todos os veículos automóveios ?.
Por segurança rodoviária entendemos o conjunto de actos e normas que protejam pessoas e bens que circulem nas estradas. Julgo que não se pode, em termos de segurança rodoviária, dissociar o bem humano do bem material e só integrando os dois objectos no mesmo conceito, poderemos considerar a segurança rodoviária no seu verdadeiro, por ser total, valor de interesse Nacional. Segurar pessoas e bens num sector específico da sua actividade e no meio em que, cada vez mais, o país vive e se desenvolve e que é suporte prioritário e imperativo do desenvolvimento do seu presente e preparação do seu futuro, é tarefa em que, rapidamente, terá de se passar das boas intenções, profissões de fé, seminários de ocasião, comissões de estudo, fundações clandestinas, campanhas de esclarecimento, etc. São necessárias medidas concretas, leis oportunas e realistas, para se passar de uma excessiva produção de teorias e técnologias publicitárias, já estafadas e cansativas, à realização de medidas concretas - que não visem o lucro resultante das coimas das contra-ordenações ou dos processos crime - que transformem as nossas estradas em meios de vida e de riqueza e não em meios de morte e de destruição, que é o que, diariamente, são.
Sendo a vida humana o bem juridico mais protegido na ordem juridica portuguesa e no senso comum, como é possível que o pder económico tenha conseguido impedir a públicação de uma lei que obrigue a instalação de um aparelho "limitador de velocidade*" - actualmente obrigatório apenas para alguns veículos pesados - em todos os veículos automóveios ?.
*"limitador de velocidade": peça técnica que não permite que o veículo ultrapasse certos limites de velocidade, mesmo que o condutor o deseje.
PAULO
Postado por
Paulo Sempre
às
1/06/2007 04:58:00 PM
43
comentários
Links para esta postagem
01 Janeiro 2007
"NOS TEMPOS QUE CORREM..."
Nos tempos que correm, onde os valores éticos parecem arredados da sociedade e da administração pública, a acção política é frequentemente anti-ética, porque se submete às ditaduras dominantes: a económica que através dos «lobbys», condiciona os governos; a tecnocrática que, através da teia da burocracia e do corporativismo emperra a administração; a mediática, ligada aos grandes grupos económicos, que explora a credulidade popular e a vaidade de certos governantes, determinando as suas decisões, criando factos políticos e fazendo até, ela própria, aleger os titulares dos órgãos de soberania...
Assiste-se, por isso, à demissão da autoridade do Estado e, em consequência, a uma crise do regime democrático. Já não é só a "cunha", instituição tradicional da vida portuguesa, que substitui o mérito pelo compadrio. São as multinacionais que inspiram certas leis, e são os canais de televisão que ditam as regras. Há um afrouxamento nos mais altos cargos, dos valores éticos essenciais. A classe política está pejada de «Condes de Abrantes» e de «Alves dos Reis», adquiridos, por isso, esta expressão, uma carga pejorativa... Os próprios partidos, inerentes à Democracia, que deviam ser intérpretes do interesse nacional e escolas de civismo transformaram-se em máquinas de conquista do poder e agências de emprego para os seus apaniguados. Mas o pior é que certas "massas populares" parecem não reagir ao caos moral reinante. Deixam-se instrumentalizar a ponto de aceitarem a devassa da sua vida privada e da sua própria intimidade, a troco de um punhado de dinheiro a da glória efémera de apareceram nas pantalhas televisivas. A televisão tem desempenhado um papel culturalmente nocivo perante a inércia da autoridade do Estado. A liberdade impõe responsabilidade e tem como limites os valores éticos, ou seja, o bem comum.
Entramos em 2007 sem sinais, ainda que ténuos, de esperança.
Ainda assim, acredito - ou quero acreditar - no «devir histórico». Ele ensina-nos que a humanidade recua e avança, por ciclos de depressão e vil triteza. Desejo que no futuro os partidos não façam promessas demagógicas, nem intrigas de bastidores, que os ministros tenham convicções e acreditem no que fazem, que os deputados interpretem os sentimentos profundos da comunidade, que os funcionários públicos tenham consciência de que existem para os cidadãos, enfim, que as chamadas forças de segurança actuem em conformidade com a lei, com exigência ética, isto é, com rigor e temperança. Para mim, contudo, não quero nada..., excepto ter esperança...pois sei por mim próprio que os exilados se alimentam de esperança...
PAULO
Postado por
Paulo Sempre
às
1/01/2007 05:13:00 PM
48
comentários
Links para esta postagem
Subscrever:
Mensagens (Atom)






