24 Abril 2007

"REVOLUÇÃO DE ABRIL DE 1974: Portugal"

«Nenhum homem é uma ilha isolada. Cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa ficará diminuida, como se fosse a casa do teu amigo a tua própia casa. A morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E, se dobram os sinos, não perguntes por que dobram os sinos - eles dobram por TI» John Donne.
«Ó tu, Sertório, ó nobre Coriolo,
Catilina, é vós outros dos antigos
Que contra vossas pátrias com profano
Coração vos fizeste inimigos:
Se lá no reino escuro de Sumano
Receberdes gravíssimos castigos,
Dizei-lhe que também dos Portugueses
Alguns traidores houve algumas vezes»
(Luiz de Camões - Lusíadas, IV, 58)

Muitos séculos depois de Camões e trinta e três anos volvidos após o 25 de Abril de 1974, os poderes «ocultos» podem, ainda, mascarar as pantominas dos vira-casacas de certos quadrantes da sociedade portuguesa, podem até mascarar a pobreza que atira para a miséria muitos portugueses; porém, não vale a pena falar dos responsáveis intervenientes directos do «legado do 25 Abril de 1974», que se acomodaram com as mordomias em tempo de "vacas gordas", porque deles nada mais é de esperar...Mas tentar mascarar a verdade genuína do actual quotidiano dos portugueses, principalmente daqueles que sofreram e sobreviveram aos anos da "ditadura" da religão, guerra do ex-ultramar e a 48 anos de Governo fascista, que lhes roubou parte dos sonhos da juventude e lhes incendiou a infância, além de grave injustiça, é blasfémia.
Serão os sonhos determinantes na vida dos seres humanos?...Alguns sonhos podem ser uma espécie de luz que alumia os caminhos mais sinuosos, mesmo quando a claridade de cada dia parece escapar às turbulências dos tempos desta vida. levados por um sonho assim, os capitães de Abril de 1974, no "abraço" do movimento das Forças Armadas, violaram todas as "algemas" e abriram todas as"janelas" para uma nova era...a era da liberdade.
Porém, há quem diga ainda hoje que, de "quando-em-quando", se ouve o "troar" dos canhões da barbárie. Outros asseguram que não. São apenas os traidores - que os há - a rir impiedosamente do país inseguro, hesitante entre um jogo de futebol e um certificado de habilitações literárias emitido ao domingo. O debate violento que ainda hoje se trava na luta pelo poder põe a nu uma questão talvez essencial para o futuro da humanidade: Se os direitos do homem ainda não são universais, poderão ao menos vir a sê-lo..? Que povo é este que povo...

Paulo

22 Abril 2007

"OS PARÂMETROS JURÍDICOS DO USO DA FORÇA"

A democracia e a cidadania fortalecem-se com o debate de ideias, na firme convicção de que é possível o aperfeiçoamento das sociedades modernas, fundadas na liberdade e na democracia, através da participação empenhada de todos os cidadãos.
Autoridade e liberdade só se contrapõem se ilimitadas ou mal limitadas. Verdadeiramente, porém, são elementos imprescindíveis da ordem, na acepção elevada do termo, e a ordem tem por último fundamento a justiça. Sem ordem não há autoridade, mas licença anárquica.
«Pode mesmo afirmar-se que o barómetro de um verdadeiro Estado de Direito democrático está na maneira como as polícias actuam relativamente aos cidadãos» (Acordão do Supremo Tribunal de Justiça de 22/09/94).
Mesmo num período conflituoso, como o actual, a maior parte dos portugueses resolvem pacificamente as questões suscitadas pela convivência e com maior ou menor exactidão, têm respeitado a ordem sem que sejam a isso coagidos. Ainda respeitam a ordem por gosto, por amor da justiça, da moderação e do equilíbrio.
A ilegitimidade do uso de graus académicos por parte dos que, na boa-fé, foram mandatados para governar acarretará, por certo, manifestações de cólera, e não de resignação, daqueles que não suportam a mentira. Facto que pode motivar a desordem colectiva.
Face a este perigo, estranha-se que as autoridades competentes não tenham ainda dissipado a dúvida de dez milhões de portugueses quanto às habilitações literárias do primeiro Ministro de Portugal:
Dois certificados de habilitações literárias divergentes em data e notas de rodapé;
Quatro disciplinas ministradas pelo mesmo professor;
Certificado de habilitações literárias passado a um Domingo;
Trabalho académico entregue depois da respectiva atribuição da nota e emissão do certificado;
Assinatura de um Reitor que já não era Reitor.
O que não se pode aceitar é deixar os "culpados" abondonar o poder com aparência de voluntariedade. O reconhecimento de que o poder se está exercendo em circunstâncias contraditórias ou pouco convicentes, que permita qualificá-lo de "pouco claro" gera normalmente um clima de revolta latente pronta a "sair à rua"...
Paulo

17 Abril 2007

"INFLUÊNCIANDO A CRIANÇA"

Pais, professores, educadores de infância, por vezes, acham-se na "obrigação" de influênciar as crianças porque pensam saber o que a criança deve ter, deve aprender, deve ser. Discordo. Jamais aceitei os "comandos legais" da Lei Tutelar Educativa em vigor em Portugal. Não pretendo que as crianças compartilhem das minhas crenças ou preconceitos. Não tenho religião, mas jamais ensinei uma palavra contra a religião, nem mesmo contra o Código Penal, que é «bárbaro», nem contra a auto-determinação sexual, nem contra os partidos políticos. Jamais, conscientemente, influenciaria uma criança para que se tornasse pacífica, ou vegetariana, ou reformadora, ou estrela de cinema ou qualquer outra coisa. sei que as «pregações» de nada valem com a criança.
Preocupa-me o facto das criança serem "vitímas" de recompensas e castigos. O perigo de recompensar uma criança não é tão sério como o do castigá-la, mas a sabotagem da moral da criança através da outorga de recompensas é mais subtil. Recompensas não são mais de que coisas supérfluas e negativas. Oferecer um prémio por fazer algo é o mesmo que declarar que esse algo não vale a pena de ser feito por si mesmo. Não há artista que trabalhe exclusivamente pela recompensa monetária. Uma das suas recompensas é a alegria de criar. Além disso, as recompensas teterminam a pior motivação do sistema competitivo. Obter o melhor dos outros é um objectivo infernal.
A outorga de recompensas tem um efeito psicológico negativo sobre a criança, porque faz surgir ciúmes. A antipatia de um menino por um irmão mais novo começa, muitas vezes, no momento em que a mãe comenta:
- teu irmão sabe fazer isso melhor do que tu.
Na minha rua há crianças neuróticas, "carregadas de brinquedos" e "nodoas negras de castigos". todavia famintas de amor, honra, respeito e confiança... causado pela a ansiosidade dos pais, também eles "escravos" de uma sociedade de valores padronizados e de «algemas» privativas da sua criatividade e verdadeira personalidade.
Paulo
OBS): Que me desculpem: Pais, professores, educadores, curadores, representantes legais e outros encarregados de educação....

12 Abril 2007

«OS CURANDEIROS DO SÉCULO XXI : uma herança universal"

Os curandeiros são inumeráveis. Folheando as páginas da História podemos ver que em todas as épocas e civilizações pupulavam curandeiros. Encontram-se inscrições nas cavernas do homem primitivo que se referem à "arte mágica" de curar.
Vários hieróglifos egípcios aludem ao curandeiro mágico. Nos livros históricos do povo judeu, tanto do Velho como do Novo Testamento, referem-se casos de «profissionais» do curandeirismo.
Hoje, estranhamente, o curandeirismo ainda constitui uma prática de enorme repercussão social, mesmo nas sociedades mais desenvolvidas.
Atribuir poderes especiais aos curandeiros, em pleno século XXI, ainda constitui uma herança universal.
Cai-se facilmente num círculo vicioso: curandeiros, propagandistas e afins. Muitos até se tornam famosos desfarçados sob a "capa" da religião.
Recentemente fui ao curandeiro e, para espanto meu" o mesmo não me "cobrou" qualquer quantia em dinheiro pela "consulta". Porém, após a consulta e depois de ter ficado sugestionado, constatei que, afinal..., existia um recipiente muito acessível, colocado junto à porta de saída. Esta técnica indirecta de "arrecadação", à margem dos "tentáculos"do fisco, não é novidade. Tal facto confirmou o que eu já esperava quando ao seguinte: "entre as inscrições descobertas no tempo de Asclépio, o deus da medicina, há uma bem significativa a respeito do interesse pecuniário dos sacerdotes curandeiros, na antiga Crécia: «O deus curou Hermon, de Thasos, que era cego, mas como ele não depositou a sua oferenda, tornou a ficar cego. O doente voltou, adormeceu novamente, e aí ficou curado». É fácil deduzir que desta segunda vez o doente depositou a oferenda «ao deus».
Hoje, o referido "recipiente" - livre de impostos - circula por tudo o que são lugares de culto, apartamentos de luxo, - de conhecidos "curandeiros" e afins -, sedes de partidos políticos, etc... com a cumplicidade da televisão, imprensa e rádios.
Para não levantar suspeitas, comprei o recomendado pelo curandeiro: óleo, vinho, cânfora, sal...e, também, deixei umas quantas moedas no «recipiente».
Hoje, não há aldeia, vila ou cidade, que não tenham os seus curandeiros sendo que estes têm, em quase toda a parte e sempre, um sucesso incomparavelmente maior que o dos médicos. O fatalismo, a crença na omnisciência divina, o livre-arbítrio, a liberdade desfarçada "obrigaram" ao aparecimento de "novos" curandeiros do Povo e este, na sua boa-fé, lá vai entregando o seu voto na esperança errada do "milagre" de melhores dias.... enquanto os "novos curandeiros", - Dr. Eng. Mestres, Bachareis, Professores Doutores -, "arrecadam" altas vantagens de âmbito pessoal - com recurso a mecanismos sufisticados de corrupção e desprezo pelos mais elementares ditames da ética, honra, honestidade, lealdade e da integridade de carácter - e dizem-se: videntes, astrólogos, magos, cartomantes e políticos, etc...
Afinal, quase todos somos, de uma maneira ou de outra, supersticiosos..... e os que o não são, deixam-se levar pela industria do "Prozac"...que agora trata de gente fina rica e culta a troco de muitos euros...que a classe médica aceita sem «dó nem piedade» em negócios também eles feitos de «mágia" e oculto desinteresse pela vida humana....
Assim , o verdadeiro «deus» do século XXI - que pelos vistos não lhe faltam seguidores - é, afinal..., o «centeúdo» do referido «recipiente» .
Paulo

05 Abril 2007

"A RELIGIÃO MAIS PURA NÃO DEIXA RASTO"

Dos mortos - e dos deuses mortos - ficaram objectos, fantasmas invertebrados, mais demónios do que deuses-bons.

Captar o trama das antigas instituições religiosas, descrever os caprichos da sua imaginação simbólica a partir dos magros recursos materiais ou literários da história positiva que chegaram até nós, é como pretender capturar o espírito dos mortos ou, na feliz expressão de "Ernest Renan", descobrir o "rasto dum pássaro que voou nos ares". Para mais, os indicadores do fenómeno religioso não são apenas temporais e conjunturais, são também (sobretudo) relativos. Cada religião, cada época, cada cultura, cada estrato social tem os seus indicadores religiosos. A religião mais "pura" (a mais espíritual) não deixa o menor rasto.

Um meio para explicar hoje os comportamentos religiosos do passado é o conceito sociológico de "função social", entendendo como tal a satisfação duma necessidade, a resposta à pergunta: "quais são os efeitos declarados e latentes, conscientes e inconscientes que se procuram atingir com esse comportamento?

Os ritos mais bárbaros ou bizarros e os mitos mais estranhos traduzem uma necessidade humana, algum aspecto da vida quer individual quer social: as razões que o crente avança para se justificar podem ser, e são-no a maior parte das vezes erróneas. As razões verdadeiras existem no entanto, mas compete à ciência descobri-las.

Hoje, estranhamente, a religião continua persistente nas suas fórmulas religiosas apesar das múltiplas mudanças nas estruturas civilizacionais políticas e económicas. Deus é hoje um "homem" sem rosto: carapaça inox em vez de "amor infinito" e "circuitos políticos e economicos" em vez de "conselheiro permanente". Chegou o "simplex dos santos"...quase feitos "numa hora"...

"Nada há como as cerimónias religiosas e as cerimónias militares, para fazer exaltar as multidões, cuja alma vibra mais intensamente sob a acção de duas músicas: a voz dos sinos e o som dos clarins" (Comandante René Andriot)

Ainda assim, nesta Páscoa 2007, o "cordeiro", enfeitado pela sociedade de consumo, estimula o «espírito» criando uma atmosfera de satisfação e alegria. Porém os "fantasmas" dos ditadores e dos "salvadores" de almas, espreitam em cada esquina, em cada labirinto dos itinerários da liberdade e da igualdade entre os homens como "lobos famintos" à espera das suas "presas"...e Deus não se vislumbra em lugar algum...

Paulo.

Nota: Parte deste "post" foi inspirado nos trabalhos do Professor Doutor Moisés Espírito Santo (professor catedrático de sociologia).

01 Abril 2007

"TRÍPTICO DA SECA PLANÍCIE"

No fogo são os campos o ardil, maré

do pranto iluminado que nos lugares

da sombra a pressentida morte ateia.

O vazio das chamas escolhe todas as

inocências e, como leves arbustos, as

seca e emudece. Já só na palavra.

Sobrevive o que se concentra no corpo

vivo dos homens ou no imenso espaço

onde adormece o assombro de se morrer.

Longínqua e imprecisa, a fractura da

mágoa, torna imemoráveis as fronteiras

as brisas escassas, o grão transparente

nas corolas dos montes. Um sopro.

Como de calma mansidão da luz, vem,

subtil, medir cada passo da morte,

nos pássaros verticais caindo de fome.

já a terra se não ergue, eficaz, da

grande máquina invisível da memória.

Uma convulsa surpresa nas pausadas

pedras nuas, um fragor do fogo, entre

murmúrios de folhas e sílabas, é tudo

o que resta no ar sufocante, nas

pupilas vermelhas com que se espera

ainda o retorno dos ossos ao rumor

do corpo e as ignoradas águas"

(Orlando Neves - Poeta)

Há palavras e imagens que trazem geralmente dentro de "si" as pessoas e, sobretudo, os seres desprotegidos e carregados de sinais, linhas de força que são já em si os itinerários para desassossegos maiores, a que se juntam elementos das paisagens físicas. O resto eu não digo, é com os visitantes deste blogue que houver famintos de pessoas, de paisagens e de sonhos "proibidos"...

PAULO