«Nenhum homem é uma ilha isolada. Cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa ficará diminuida, como se fosse a casa do teu amigo a tua própia casa. A morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E, se dobram os sinos, não perguntes por que dobram os sinos - eles dobram por TI» John Donne.(Luiz de Camões - Lusíadas, IV, 58)
Muitos séculos depois de Camões e trinta e três anos volvidos após o 25 de Abril de 1974, os poderes «ocultos» podem, ainda, mascarar as pantominas dos vira-casacas de certos quadrantes da sociedade portuguesa, podem até mascarar a pobreza que atira para a miséria muitos portugueses; porém, não vale a pena falar dos responsáveis intervenientes directos do «legado do 25 Abril de 1974», que se acomodaram com as mordomias em tempo de "vacas gordas", porque deles nada mais é de esperar...Mas tentar mascarar a verdade genuína do actual quotidiano dos portugueses, principalmente daqueles que sofreram e sobreviveram aos anos da "ditadura" da religão, guerra do ex-ultramar e a 48 anos de Governo fascista, que lhes roubou parte dos sonhos da juventude e lhes incendiou a infância, além de grave injustiça, é blasfémia.
Porém, há quem diga ainda hoje que, de "quando-em-quando", se ouve o "troar" dos canhões da barbárie. Outros asseguram que não. São apenas os traidores - que os há - a rir impiedosamente do país inseguro, hesitante entre um jogo de futebol e um certificado de habilitações literárias emitido ao domingo. O debate violento que ainda hoje se trava na luta pelo poder põe a nu uma questão talvez essencial para o futuro da humanidade: Se os direitos do homem ainda não são universais, poderão ao menos vir a sê-lo..? Que povo é este que povo...



