
Só será livre e responsável, plenamente, a pessoa que tem consciência dos actos que pratica e da sua valoração.
Daqui não deverá inferir-se que a generalidade dos governantes - que supostamente têm consciência dos seus actos - não infringem, nunca infringiram, quaisquer normas, morais, de civilidade ou jurídicas. Mesmo os mais escrupulosos, algumas vezes já teriam sido descuidados, impacientes, desatentos, esquecendo até as mais elementares preceitos do código da estrada, da legislação preventiva de incêndios, etc...Afinal todos, sem exluir os mais escrupulosos, infringimos normas menores. Também é certo que muitos, ao verificarem que da infracção de uma norma menor resultou dano para alguém, procuram repará-lo. Até sem esperarem a reclamação do lesado. Nestes casos há uma certa margem de permissibilidade social , fruto de uma tolerância às debilidades humanas...pois é de ilicitos menores que se trata.
A verdade é que a pratica reiterada de tais condutas, às quais se jutaram outras altamente censuraveis, tem «minado» os «alicerces» morais e da civilidade do estado social deixando, por isso, em crise, o mínimo ético defenido pelo Estado. Pois as sanções legais estabelecidas na «rede preventiva» parece não serem efectivamente temidas por certos representantes do Povo.
Parece existir a convicção de que as infracções cometidas ficam impunes. Basta estar atento às notícias que nos chegam diariamente. A referida convicção leva, inevitavelmente, a alargar a esfera da marginalidade, dentro de qualquer Estado. Há quem defenda que a convicção de que tudo é permitido, passa. Até, mais que não seja, pelo instinto de conservação dos homens, que terá influênciado alguns políticos. Mas a verdade é que não passa sem ter gerado profundas «feridas» no processo cultural dos Povos - seja qual for o regime político - , forçados a reencontrarem-se, no meio das maiores ruínas e misérias deixadas no seu quotidiano por "vendedores eventuais de banha de cobra".
Hoje já são poucos , e com razão, que ainda acreditam no apoio de uma ordem divina ou natural, o que em nada ajuda o próprio Estado - que utilizava o "ópio do Povo". Assim, o Estado, sozinho, tende a renunciar às suas funções, duvidando da legitimidade, do fundamento, para exercê-las. Actualmente o povo começa a alarmar-se, face ao afastamento de padrões éticos que já não se circunscrevem aos núcleos tradicionais de marginais, estendendo-se...isso sim, de forma assustadora, a grupos sociais tradicionalmente vinculados por padrões éticos. Até onde irá então, a resignação dos administrados?
Paulo