27 Dezembro 2007

"PRÓSPERO ANO NOVO (2008 )"

A vida em sociedade exige, cada vez mais, que as relações humanas e as exigências do bem social, comum e ao alcance de todos, assente em princípios indiscutíveis, dos quais flúem a melhor compreensão e aplicação dos direitos humanos fundamentais e os comportamentos pessoais e públicos.
A verdade é que o ano (2007), que agora termina, demonstrou-nos que, infelizmente, não é ainda possível uma "vivência coerente" dos referidos princípios: vive-se em desconfiança mútua, multiplicam-se favores segundo simpatias, multiplicam-se interpretações unilaterais, os problemas e as respectivas soluções apreciam-se segundo ângulos contraditórios, gera-se, por fim, a irresponsabilida-de, porque se calam e se apagam os deveres.
A agressividade que se respira, a imunidade moral que se reivindica, o dedo apontado aos "consporcados" por parte dos que se julgam "puros e impolutos", a intolerância, a fuga a deveres de cidadania, lealdade, obediência, marcaram, indelevelmente, o ano de 2007.
Hoje temos uma sociedade mais pobre que tem a ver com a marginalização que se provova, os compadrios que se fomentam, os pactos secretos que se promovem, os rumores de meias verdades que se espalham, as expectativas que logo se defraudam, os rótulos de preconceito que se colam, a intransigência farisaica em que muitos vivem, etc...
Perderam-se as referências comuns mobilizadoras de vontades e de espírito de disciplina.
É certo que ainda há pessoas honestas e sérias. Porém, quem aparece não são os protagonistas de uma sociedade de princípios. Mas...o seu «problema» é instalarem-se comodamente numa consciência de boas pessoas, caírem na omissão de não assumir compromissos sociais, serem mais críticos que militantes, fecharem-se no seu «mundo», porque acham o outro é irrespirável e fútil.
Ainda assim, faço votos para que o Novo Ano de 2008 seja de «reparações»: do valor universal, constituido em princípios de convivência sã, que é "o respeito pelo outro". O outro, pelo que ele é em si mesmo, com a sua dignidade inalienável, qualquer que seja a sua raça, cor, opção política, sexual ou religiosa.
Pois... uma sociedade de humores ou de interesses, fica eticamente vazia.
A todos quantos comentaram neste blogue, "filhosdeumdeusmenor", aos que aqui passaram em silêncio, aos que aqui "germinaram" o sentido da amizade, aos que, também, criticaram pela negativa, desejo-lhes um Próspero Ano de 2008.
Paulo Sempre

23 Dezembro 2007

" 25 DE DEZEMBRO, NASCIMENTO DO SOL "

Os Evangelhos nada dizem quanto à data do nascimento de Jesus enquanto é absolutamente seguro que o 25 de Dezembro veio do culto do Sol e em particular de «Mitra, Sol invictus». Por múltiplas fontes se sabe que os solstícios eram muito festejados em relação com o culto do Sol visto como fecundador da Terra e senhor do Cosmos. Entendia-se que o Sol nascia no solstício do Inverno porque nesse momento os dias começam a crescer. Também conhecemos um ritual para celebrar esse facto na Síria e no Egípto: «Os fiéis recolhiam-se em certos locais secretos, grutas ou sítios naturais e, à meia noite, saíam a proferir gritos estridentes: " A Virgem deu à luz! A luz cresceu!". Os egípcios até representavam o Sol recém-nascido pela imagem duma criança que se mostrava aos adoradores no dia do seu nascimento, no solstício de Inverno. A virgem parturiente devia ser a grande Deusa oriental, a Celeste ou Astarté dos semitas» ou Pedra-mãe de Mitra. Fosse quem fosse a Mãe e o Menino, já temos aqui um presépio numa gruta. Os latinos também festejavam neste momento o deus Sol, chamado «Janus», um deus bifronde (oriente e ocidente), donde o nome do mês que se segue, Januarius (Janeiro, cf. as «janeiras», cantorias populares para anunciar o nascimento de Jesus).
O 25 de Dezembro relaciona-se hoje com o 6 de Janeiro (Epifania ou dia de Reis) e com o persistente costume de acender fogueiras colectivas que duram entre essas duas datas (madeiro de Natal). Na prática, o Natal estende-se até 6 de Janeiro. Ora, dessa prolongação das festas de Natal resultam duma hesitação na celebração do nascimento de Jesus. «Frazer» explica: « Os cristãos egípcios, sírios e, dum modo geral, todos os orientais até ao sec. IV, para não fazer coincidir o nascimento de Jesus com o Sol pagão celebravam o nascimento de Jesus a 6 de Janeiro enquanto os cristãos ocidentais optaram pelo 25 de Dezembro, por volta do ano 375. Um escritor sírio coevo explica muito francamente: "os Pais (da Igreja) transpuseram a festa do 6 de Janeiro para o 25 de Dezembro por esta razão: "era costume os pagãos celebrarem a 25 de Dezembro o nascimento do Sol. Nesse dia acendiam fogueiras em sinal de festa, e os cristãos também participavam nessas festas. Tendo-se os Pais (da Igreja) apercebido que os cristãos adoptavam esta festividade pagã, reuniram-se em conselho e resolveram que se devia celebrar a 25 de Dezembro a verdadeira Natividade e a 6 de Janeiro a festa da Epifania («manifestação») de Jesus". É por isso que continuou a prática de acender fogueiras até ao 6 de Janeiro.
Parece portanto que a Igreja cristã decidiu celebrar o aniversário do seu fundador no 25 de Dezembro para a retirar ao Sol e fazer dirigir ao que se chamava Sol de justiça as adorações pagãs. Os cristãos orientais ainda celebram o Natal a 6 de Janeiro. Tem portanto lógica a explicação daquele autor: os ocidentais, como os Reis Magos a 6 de Janeiro, duplicam a festa do Natal, celebrando-a duas vezes: a adoração dos pastores a 25 de Dezembro e a adoração dos Reis Magos a 6 de Janeiro.
Hoje, a sociedade de consumo omite a verdadeira história do nascimento de Jesus.
Afinal, bem vistas as coisas, os atributos do Diabo são semelhantes aos de Deus: é omnipotente (subverte as leis da Natureza, paralisa o curso dos rios, levanta os homens pelos ares...). É omnisciente (conhece as nossas intenções, discute com os humanos atravez do seu pensamento). É omnispresente (pode apresentar-se simultaneamente em todos os pontos do Universo). Deus não pode eliminar o Diabo tal como o Diabo não pode destruir Deus. Têm de se arranjar entre eles. Wycleff, teólogo renascentista, defendia até que Deus obedece ao Diabo.
Hoje, roga-se a Deus pelas coisas nobres, solicita-se o Diabo para as coisas vis. Divisão de papéis sociais?
Entretanto a minha dúvida continua: venderei a minha alma a Deus ou ao Diabo?
Paulo
NOTA: Parte deste «post» só foi possível com recurso aos trabalhos de investigação do Professor Doutor Moisés Espírito Santo*, professor catedrático de sociologia das religiões, da Universidade Nova de Lisboa.
*Meu ex- professor e grande amigo.

17 Dezembro 2007

NATAL: "AS MULHERES NA VIDA DE JESUS..."

É possivel que as mulheres tenham ocupado um lugar importante na vida de Jesus mas a verdade é que os Evangelhos canónicos têm Maria em pouca conta e isso demonstra-se pelas referências dos Evangelhos às relações de Jesus com a sua mãe (Maria); essas relações - que são apenas quatro - são-nos sugeridas como frias ou inamistosas, e não justificam, na minha opinião, o culto de Maria. Vejamos:
A primeira referência é o extravio (ou fuga) de Jesus em Jerusalém: tendo levado Jesus com a idade de doze anos à cidade, os pais perderam-no de vista - violação do dever especial de cuidado por parte dos pais? - ; foram encontrá-lo no templo a discutir com os doutores da Lei. Disse-lhe Maria: "Porque nos fizeste isto? O teu pai e eu procuramos-te com ansiedade". Ao que ele respondeu: " Porque me buscais? Não sabeis que importa ocupar-me das coisas que são do serviço do meu pai? Mas eles não entenderam estas palavras" (Luc. 2:46).
Segunda referência: Aos trinta anos, tendo sido Jesus e a sua mãe convidados a uma boda em Caná, Maria notou que o vinho faltava e disse a Jesus: "Eles não têm vinho" e Jesus respondeu-lhe: "Mulher que tenho eu a ver com isso? Ainda não chegou a hora". Maria disse no entanto aos mordomos que fizessem tudo o que ele dizesse e Jesus transformou a água em vinho (João 2:3-4).
Terceira referência:Estando Jesus a prégar, um dos presentes anunciou-lhe: " Estão lá fora a tua mãe e os teus irmãos que procuram por ti", ao que Jesus respondeu: " Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?"E estendeu a mão sobre o povo: "Eis a minha mãe e os meus irmãos " (Mat. 12:46).
Quarta referência: Pregado na Cruz, Jesus dirige-se à mãe indicando João: "Mulher eis o teu filho", e a João: "Filho, eis a tua mãe" (joão, 19:26) o que costuma interpretar-se como uma proposta de adoção de João por Maria e vice-versa.
São estas as únicas referências às relações filho-mãe encontradas nos textos canónicos. Isto não pode justificar, de modo nenhum, a mitologia mariana e a importância de Maria no catolicismo. O culto de Maria. O culto de Maria não se justifica pelo cristianismo. O culto popular de Maria não assenta nos textos teológicos mas nos arquétipos da Mãe e da Mulher. Diriam alguns que os fundadores do culto mariano foram os discipulos de São João que foi um sublime visionário que se instalou numa ilha do Mediterrâneo, um poeta platónico, um saudosista. No entanto, os primeiros missionários de Maria foram os sírios (descendentes dos fenícios), emigrantes, vagabundos e desajustados à realidade, que transportavam a senhora «Iasura» peregrina de aldeia anichada num burro. Mil e quinhentos anos depois, os ibéricos reencontraram a paixão dessas ancestrais vagabundagens, instalaram a imagem da Senhora na proa dos barcos, e ela floresceu no «Novo Mundo» e, agora, também, com uma luxuosa residência/empresa em Fátima - Portugal.
Com a investigação, vamos calcorreando caminhos de mentiras e vislumbrando a aridez de desertos grandes onde, há muito, não existe o «espírito de Natal».
Aos que ainda, animados pela fé, negam as provas cientificas, um SANTO NATAL.
Os outros... , sem espírito de Natal, podem vir comigo até ao Sul... ao "deserto" das planícies grandes, pejadas de tranquilidade e sem murmúrios e/ou espuma de «mares» nunca antes nevegados...
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Nota: Este trabalho foi inspirado nos trabalhos de investigação do Professor Doutor Moisés Espírito Santo, professor catedrático de sociologia das Religiões.

13 Dezembro 2007

"COMENTÁRIO SEM «ROSTO»..."

Actualmente, o modelo cultural que rege as relações dos homens em sociedade, já não é, como se acredita muitas vezes, um princípio autoritário, moral e regressivo mas um conjunto de normas impessoais que visam um rendimento económico máximo e que já não funciona em referência a um qualquer sistema ético ou religioso. Chegámos a um tal ponto do paradoxo que alguns se interrogam - e com razão - se devemos produzir pessoas doentes para obter uma economia saudável
Já não existem aquelas relações míticas de comunicação entre as pessoas que eram o único meio que tornava possível a decifração do Mundo. As relações humanas desculturaram-se, isto é, foram arrancadas da sua estrutura simbólica e esvaziadas da sua substância significante em benefício de imensas máquinas que as exploram e as projectam nas superfícies planas dos nossos écrans de televisão.
Encontramo-nos cada vez menos e telefonamos cada vez mais...para falar de negócios. Já não manipulamos senão objectos e imagens desprovidas de qualquer ambivalência e de qualquer significação simbólica real.
O próprio sol, parece ter sido despojado da sua densidade simbólica, tornando-se um signo completamente positivo e desculturado que já não remete senão para férias e para a sua sórdida organização.
Porém, no meio do referido diagnóstico, ainda há «peugadas» que demonstram uma rara simbologia na sua forma de comunicar.
Uma dessa «peugadas» é um anónimo leitor deste meu "espaço", "filhosdeumdeusmenor", que me chegou por e-mail, assim:
«Nas visitas que faço ao "filhosdeumdeusmenor", sinto, por vezes, vontade de deixar um rasto da minha passagem. Não quero fazê-lo sob anonimato - não tem muito interesse "dialogar" com alguém que não existe! Bem sei que caminhamos por um mundo virtual, mas, ainda assim, podemos tentar ser transparentes até onde a opacidade o permitir. Poderia, para dizer quem sou, mesmo que de forma subjectiva, facultar o acesso ao meu blogue, mas tu tens demasiados leitores e gosto de passar sem deixar rasto.
Este podia ser o meu comentário. Aquele que nunca fiz!... interessam-me sobretudo as considerações em que desvendas para lá do que é visível. Com elas vou aprendendo a flutuar no oceano para onde a infância me catapultou. Continuarei a visitar-te, ainda que em forma de ser invisível».
É incontestável o «grito» dos «silêncios» que nos catapulta para os confins de vazios gigantescos de liberdade... esse interminável deserto dos desassossegos...
Paulo

05 Dezembro 2007

"...UMA CRIMINALIDADE VELOZ..."

Hoje em dia, em Portugal, a corrupção já não se manifesta sob as formas arcaicas, das quais a mais conhecida é o envelope por debaixo da mesa praticada por funcionários menores. A criminalidade tem agora um «rosto» sofisticado, invisível, diluido no sistema político e administrativo. A verdade é que a democracia portuguesa não conseguiu criar mecanismos administrativos e decisórios impermeabilizadores ao aumento galopante da nova criminalidade.
A esta criminalidade veloz, flexível e enovadora responde um sistema inadequado, pesado, que só é capaz de gerar respostas burocráticas e morosas que degradam, paulatinamente, a imagem dos orgãos e autoridades de policia criminal.
A demora constrangedora de uma eficiente articulação interdisciplinar entre o direito penal, criminologia e política criminal, alimenta a criminalidade organizada, criando, assim, um terreno de areias movediças.
Hoje, os tribunais estão "entupidos" de arguidos de classes economicamente inferiores que se limitam a aceitar o advogado estagiário ofícioso, o qual, geralmente, desempenha mais uma função de legitimação do processo que uma adequada função de defesa do arguido.
Apesar da Constituição da República garantir a igualdade de todos os cidadãos perante a lei, ainda não foi abalada a tendência histórica, para a criminalização sistemática das condutas típicas das classes inferiores, ou, noutros termos, das condutas susceptíveis de pôr em causa os interesses dos grupos dominantes - nem que para isso se alterem as leis penais -. Daí a já habitual resistência do direito criminal a intervir nas actividades dos detentores do poder, por mais imorais ou socialmente danosas que tais actividades possam revelar-se.
As instâncias formais de controlo da criminalidade: ministério público, forças de segurança, tribunais, prisões, institutos de reinserção criminal, etc...viram a sua autonomia hierárquica e funcional eivada de lugares comuns, onde só as «formigas» têm uma sentença célere depois de uma defesa difusa e pejada de pantominas.
Enquando não existir uma visão da criminologia que deixe de ignorar a impunidade das classes poderosas, estas controlarão sempre as leis, os regulamentos e os códigos, atraindo a si os melhores especialista no sentido de as ajudarem a camuflar e a fazer desaparecer todos os traços das suas actividades criminosas.
Paulo