25 Abril 2008

"25 DE ABRIL...34 ANOS DEPOIS"

Aos "filhos" da liberdade - como eu - não lhes é fácil compreender as motivações que levaram uma revolução a substituir um regime de ditadura por um regime democrático.
Hoje, 34 anos depois da revolução de Abril de 1974 em Portugal, há ainda quem diga que existem formas "larvares de tirania" apesar de Portugal, desde então, viver num regime democrático.
Afinal...a ilegitimidade do poder, ou a tirania, hão-de revelar-se tanto nas acções como nas omissões dos que "executam" o poder que, através das urnas, lhes foi "dado" pelo Povo.
Na minha opinião, não serão tiranos apenas aqueles que desrespeitam a vida, a honra e o património dos governados, arrastando-os para condições de pobreza e/ou criando-lhes expectativas de "sonho", ofendendo-os nos seus sentimentos, gastando os seus impostos em proveito particular, ou orientando-os para satisfações imaginarias, que correspondam apenas a fantasias, a paixões ou a debilidades dos governos.
Na minha opinião, tiranos serão igualmente os governantes que se eximem ao cumprimento dos seus deveres funcionais. Por exemplo, os que não administram a justiça, não legislam com ponderação, devendo legislar, não asseguram a tranquilidade pública, tolhendo a acção nefasta dos inimigos internos da comunidade e os que , nos momentos de maior fragilidade politica, "abandonam" o "barco".
Há-de pôr-se sempre o problema da legitimidade do poder quando a independência politica se não acha garantida, quando a passagem pela politica apenas serve de "trampolim" para o desempenho de cargos superiores em multinacionais ou quando a criminalidade atinge níveis que afectam a paz pública, ou, ainda...quando certos grupos - não reconhecidos pelo poder - estabelecem e cobram - de forma encoberta -, sob ameaças, «impostos revolucionários» com tal regularidade que até a obrigação moral de pagar os impostos estaduais se porá em dúvida.
O poder, sendo um elemento intrínseco do Estado, necessita, para se exercer, de um certo consentimento. Contudo, este consentimento será tanto maior quanto maior for a legitimidade «moral e ética» - não jurídico - dos executores do poder politico.
Passados que foram exactamente 34 anos após a revolução de Abril de 1974 é, na minha opinião, ainda necessário reflectir sobre certas "acções" e "omissões" a fim de se determinar se, realmente, Portugal vive, ou não, num regime verdadeiramente democrático sob o ponto de vista da moral, da ética, dos valores humanistas e do direito...

Paulo

26 comentários:

isabel mendes ferreira disse...

.......................
:)))))))))))

beijo menino filho da liberdade.....



que a vens "escrevendo".

mariam disse...

li de um sopro... e, parabéns!

tenha um dia de 25 de Abril memorável

http://www.youtube.com/watch?v=JaqUohzuxZo

um sorriso :)

Maria Clarinda disse...

Parabéns, Paulo!!!!!!!!!!!!!
Foi bom ler-te, e, quanta verdade. Jhs

Filoxera disse...

Concordo.
Hoje, no Escrito a Quente, além de comemorar o 25 de Abril, também comemoro o 1º aniversário do blogue. Se quiseres lá passar, há uma fatia de bolo à tua espera.
Beijos.

j. gonçalves disse...

( ... ) Passados que foram exactamente 34 anos após a revolução de Abril de 1974 é, na minha opinião, ainda necessário reflectir sobre certas "acções" e "omissões" a fim de se determinar se, realmente, Portugal vive, ou não, num regime verdadeiramente democrático sob o ponto de vista da moral, da ética, dos valores humanistas e do direito... (sic)

Pastora Guiomar disse...

O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, e a sede de poder é a sindrôme de Lúcifer.
O mundo está em decadência, creio que só o povo unido, pode libertá-lo. E o povo carece de rever seus valore morais também.
Abraços da brasileira.
Guiomar Barba.

Ailime disse...

Ainda bem que o Paulo reconhece que "é necessário reflectir sobre certas "acções e "omissões". É um sinal muito positivo de que é um jovem bem consciente do que se passa à sua volta e que não vive alienado!
Felizmente que não está incluído na maioria dos jovens, sobre a qual o Sr. Presidente da República falou na Sessão Solene da Assembleia da República de hoje, que não têm qualquer noção política do que se passa no país!
Hoje, como ontem, compete aos jovens lutarem para repor o ideal que levou toda uma geração anterior ao 25 de Abril a acreditar que era possível transformar o nosso país, num país diferente, onde todos tivessem os mesmos direitos e igualdades!
Para mim, o 25 de Abril de 1974, se não tivesse tido outros méritos, já valia por abrir muitas portas, principalmente a nível do conhecimento e liberdade de expressão!
Que o espírito de Abril continue a ser uma inquietação para o Paulo e, principalmente, que pessoas como o Paulo possam ajudar os jovens da sua idade a ficarem esclarecidos, como também pretende o Sr. Presidente da República!
Neste momento, só com muito esclarecimento e empenhamento das camadas mais jovens poderemos acreditar num futuro mais risonho para todos!
Um beijo da
Emília
(Ailime)

Jofre Alves disse...

Quando acabei com os outros blogues, perdi este contacto. Com prazer volto aqui, a um blogue que é uma séria referência. Sou da geração de Abril, para mim uma data especial que a mim me comove, pelas recordações que marcam as memórias dum tempo em que acreditámos ser possível um Portugal mais justa e mais humano. Um tempo de festa. Boa semana.

isabel victor disse...

Deixo-te o cravo rubro que hoje segurei na mão certa de que continuarás a festa ...




Sorrio-te :))


iv

Nilson Barcelli disse...

Claro que estamos nun regime democrático.
A prová-lo, está o teu excelente post.

O que tu falas é da mediocridade dos governantes, uma quase constante do pós 25 de Abril.
E da corrupção, seja por tráfego de influências seja pelo meter ao bolso dinheiro que é de todos.

Mas, na minha modesta opinião, o problema está no povo que somos.
Todos os defeitos que encontramos nas pessoas que assumem o poder são visíveis na sociedade em geral. As excepções, de tão poucas, confirmam a regra.

Bfs, abraço.

Amaral disse...

Paulo
Por vezes custa-me a acreditar que o 25 de Abril se deu mesmo. Os ideias trazidos para a rua não foram cumpridos. Sem dúvida que deixámos de ter ditadura, mas hoje em dia muitas são as formas "veladas" e outras nem por isso, de arrogância a rasar a ditadura.
Esperemos que ainda se venha a cumprir, pois caso contrário resta-nos o "e depois do adeus"...
Bom fim-de-semana
Abraço

Jamille Lobato disse...

Interessante ver a realidade de hoje de Portugal...

Bom final de semana!

Voz do meu Coração disse...

Obrigada Paulo pela tua passagem pelo meu blog de foto, assim retribui a visita e posso dizer que que gostei muito do vi e li, é verdade que temos de reflectir em muita coisa, voltarei.
Visita também os meus outros blogs
http://coimbra.romandie.com
http://molelos.romandie.com

José Cavalheiro disse...

Obrigado pela tua visita e pelas palavras ditas sobre Abril.
Foi um tema de mudança, mas .... continuamos em mudança só que agora para pior, e tam como diz o poeta "já basta assim".
Coloquei-te no meu blog.
Fica bem

JOSÉ FARIA disse...

Obrigado Paulo Sempre por este teu Despertar Jovem para problemas sociais tão reais que se vivem nesta nossa Democracia sempre ferida gravemente pelas chagas das desigualdades e das injustiças sociais.
Podemos falar e divulgar à vontade as nossas ideias e opiniões enquanto cidadãos responsáveis e preocupados com os males de que sofre ainda a nossa democracia já com 34 anos.
Pois é inaceitável podermos referir sobre a "democracia" dos pobres; "democracia dos ricos; "Democracia" dos desempregados: "Democracia" dos excluídos, dos pedintes e até da "Democracia" do milionários, da fome e da abundãncia.
Enquanto assim fôr, a DEMOCRACIA está viva, mas continua meio morubunda enquanto, em grande parte, a política governativa se mantiver mais virada para dentro (das instituições) do que para fora(para o povo)
São estas, e muitas intervenções jovens como estas que fazes sobre o sistema e a sociedade, que poderão contibuir para sarar a democracia da Liberdade em que nasceste.
Parabéns e obrigado!
Abraço

herético disse...

o teu texto, em boa medida conforta, aqueles que escreveram Liberdade com sangue, suor e lágrimas...

abraço

sp disse...

Tudo tão belo!
Sem mais comentários!

Abraço.

Piratas e Espadachins disse...

Regressámos! E estamos no Baleal...

Venha logo visitar-nos
Que nunca faremos mal
A quem venha procurar-nos
Nas traseiras do quintal...

Os Piratas

osátiro disse...

Texto bem inspirado.
Devemos ajudar a lutar outros povos que não usufruem da liberda e democracia, mesmo utilizando a Web.

augustoM disse...

Para quem nasceu livre, a liberdade não existe, só para os que a tiveram e perderam, ela faz sentido.
Falar hoje em liberdade, é uma espécie de conversa fiada, sem significado, confusão entre o querer e o poder, esquecendo que é a ordem que a fundamente e a ordem baseia-se no respeito pelo próximo.
Concluímos que sem respeito uns pelos outros, a liberdade é uma falácia.
Um abraço. Augusto

augustoM disse...

Para quem nasceu livre, a liberdade não existe, só para os que a tiveram e perderam, ela faz sentido.
Falar hoje em liberdade, é uma espécie de conversa fiada, sem significado, confusão entre o querer e o poder, esquecendo que é a ordem que a fundamente e a ordem baseia-se no respeito pelo próximo.
Concluímos que sem respeito uns pelos outros, a liberdade é uma falácia.
Um abraço. Augusto

JOSÉ FARIA disse...

Paulo, vim desejar-te um Bom 1º de Maio. Faz anos que muitos homens e mulheres morreram para se conseguir as 8 horas de trabalho, num tempo em que se trabalhava de sol a sol.
Ou seja, desde que surgisse a luz do dia, para se poder ver para trabalhar, até que escurecesse, e só aí o trabalho terminasse.
Abraço e Bom Feriado com segnificado!

Enfim... disse...

não deve ter sido facil mas fazia falta um novo 25 de abril

beijinhos

Rui Caetano disse...

Um belíssimo texto, profundo e muito sentido, parabéns.

atp disse...

Deixei um desafio de palavras lá no blog.
Importas-te?
25 de Abril? gosto do teu texto.

Oliver Pickwick disse...

A essência da tirania, prezado amigo, não morre jamais. Vezes, sob a camuflagem de uma simples semente, permanece estagnada, aguardando o momento propício à germinação.
Um abraço!