O Dia das Mães tem a sua origem no princípio do século XX, quando uma jovem americana, Anna Jarvis, perdeu sua mãe e entrou em completa depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a idéia de perpetuar a memória da mãe de Annie com uma festa. Annie quis que a homenagem fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas. Em pouco tempo, a comemoração e consequentemente o Dia das Mães se alastrou por todo Estados Unidos e, em 1914, sua data foi oficializada pelo presidente Woodrow Wilson: dia 9 de Maio.
Nalguns países a data é variável. O Dia das Mães em Portugal, Lituânia, Hungria, Cabo Verde, África do Sul, Espanha, Suécia, é no primeiro domingo do mês de Maio.
POEMA À MÂE
No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.
Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.
Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;
Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;
Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves. "
Eugénio de Andrade, Os Amantes sem Dinheiro
"Paulo, meu filho.
24/06/1999
A tua mãe
Joaquina Sempre".
Mas faltou tanta coisa, mãe....
Paulo Sempre



42 comentários:
Um início curioso, um meio muito terno e um fim um pouco amargo...
Belo...
*obrigada pela visita e mail... "É tempo (...) porque também tenho direito"! Acho que é isso mesmo...
Beijo:
C&L :)
É estranho...que apesar de se cortar o cordão umbilical, a nossa união com a nossa mãe...permanece...vida fora.
Ainda bem...que sabes entender...essa união.
Quanto ao poema, quem sou eu para comentar Eugénio de Andrade. Sublime!
Um abraço
Outono
O poema do Eugénio é lindo Há um ano postei-o no meu blog.Mas dói.
O poema da tua mãe,... é o drama de todas as mães. Amo tanto o meu filho e a minha filha, que acho que não lhes dou tudo aquilo a que têm direito de mim.
E depois sinto um vazio tão grande porque o amor é muito e o tempo é pouco e eu penso que nunca lhes vou conseguir dizer e mostrar o quanto são preciosos para mim.
E eles nunca vão perceber o quanto os amo.
Um bj Paulo.
De uma filha que também é mãe.
Paulo,
Em primeiro devo agradecer sua visita na minha casinha simples. Obrigada.
Mais um espaço aqui para expçortar, gosto muito de ler e com toda certeza hj a noite é nossa para poder desvendar suas palavras.
Muito interessante.
Beijos boa semana
Paola
Paulo
Engraçado, também coloquei este poema de Eugénio no meu blog para comemorar o dia da mãe.
Espero que tenha passado, dentro do possível, um bom dia da mãe.
Boa semana
Abraço
um poste muito bem conseguido, aliado ao poema belissimo do Eug�nio.
apenas me entristeceu a �ltima frase.
Mas faltou tanta coisa, m�e...
falta sempre Paulo...
beij
Olá!
Lindo trabalho. Ainda estou mais contente por ver que o Eugénio, amigo com quem partilhei alguns dias da minha vida dentro daquilo que tu, um grande ser humano, sabes fazer: sentir.
És um verdadeiro Paulo Sempre...
Quanto ao ler os comentários que fazem no meu blogue, é verdade, leio sempre.
Embora não faça postagens, ainda vou visitando alguns amigos. Contudo, depois de ter visitado todos, aí, sim. Aí também fecharei os comentários. O que quero dizer, é que ainda não me despedi de ti.
Mas para isso, terei que passar pelos blogues de todos os meus favoritos e, claro, tu também lá estás.
Como são muitos e de todos os lados do mundo espero que até ao final deste mês deixe ficar o blogue em paz com a foto daquela a quem o ofereci: Nurin Jazlim. Uma criança de 9 anos de idade vítima dos "humanos".
Abraços
David Santos
A nós mães muito obrigado.
izil
Paulo, muito obrigada pelo que expressou no meu blog!
Lá encontrará a resposta que saiu do coração de uma mãe, que também sou!
Aqui, rendo-me, mais uma vez, a uma excelente exposição, intercalada por um belo poema de Eugénio de Andrade.
Obrigada pela lição de humildade e humanidade, que só os seres sublimes e com o coração do tamanho do mundo, como o Paulo, nos podem dar.
Que tudo de bom lhe aconteça.
Nesta dia, com muita ternura, receba um grande beijinho, da
Emília
Olá Paulo, ganhaste aos pontos com este poema de Eugénio de Andrade que eu adoro! Um dia ofereci à minha mãe este poema..
Não é fácil criar um filho.
Quem me dera ainda ter a minha junto a mim..
Falta sempre muita coisa, Paulo
Abraço
blog a ser lido também, hein?! parabéns.:D
Quem sabe houve sobras... em detrimento do que faltou...
Há um medo dentro de mim como mãe de engaiolar meus filhos em meu cuidado, há um medo de deixá-los livres demais e eles se machucarem... entre o exagero e o equilíbrio me sinto as vzs tão insegura...
Te amo tanto. Beijos da brasileira que conquistastes com a tua sublimidade.
gostei muito do post...
abraços
Olá
Mãe há só uma, mas nunca é tarde para se lhe dirigir pensamentos e honrá-la, aprendendo sempre.
Foi o que me aconteceu, lendo tudo o que está dito.
Grato pela atenção de 12/2, que
há pouco vi e comentei.
Saudações
Daniel
Obrigado, Paulo, por me teres lembrado que o Dia das Nossas Mães não é mais um Dia do Comércio.
Abraço.
beijo-------------------------te.
histórias de vidas...histórias de mães...histórias doridas...histórias de amor
beijos
Belo poema em homenagem ao Dia das Mães. No Brasil será no próximo domingo (11/05).
Quero agradecer também a sua visita no meu blog. Valeu!
Beijos mil! :-)
E esquecemos que os que são meninos afinal são gente grande... é tão fácil esquecer que cresceram, que a sua mente evoluiu...
Abraço
É uma comemoração com todo o sentido!
... mas nunca é tarde, Paulo. Passei por acaso, parabéns pelo espaço. Algumas palavras tuas fizeram-me entender que cresceste muito depressa... pode ser bom ou mau, não é? Desejo-te tudo de bom. Vou voltar.
Espero que me visites:
http://oslivrosqueninguemquisdaraler.wordpress.com
http://tachospanelasecolheresdepau.wordpress.com
Um abraço,
Sónia Pessoa
O que se aprende.
fantastico post!!
o que seria de nós sem a nossa MÃE:)
abraço amigo!!
"Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem,
os amigos devem ser amigos para sempre,
mesmo que não tenham nada em comum,
somente compartilhar as mesmas recordações.
A gente não faz amigos, reconhece-os."
Vinícius de Moraes
E é sempre muito bom passar por aqui,
meu dia fica mais alegre!
Beijos doces
Há duas coisas na vida que não podemos separar nem esquecer nunca... a Mãe e os filhos...
Abraço
Deixaste-me sem palavras....
Abraço,
Auf Wiedersehen,
f n
"Mas faltou tanta coisa, mãe...."
É isso que tenho tanto medo de ouvir um dia!
Fizeste-me brilhar os olhos!
Beijinho
Eugénio de Andrade.. muito bem escolhido.
Lamento deveras, quando um filho diz à mãe "faltou tanta coisa..."
Belo post.
Paulo, quanta sensibilidade e alguma tristeza nas tuas palavras.
Não sabia o que originou festejar o «dia da Mãe», aqui aprendi contigo.
Hoje...
Sábado, em casa sozinha...
Não me apetece limpar a casa...
quando se está deprimido não apetece fazer nada...nada...nada
...só dormir...mas, eu faço os possíveis pelo menos de não abandonar a minha escrita nos blogs, ao menos isso...
Sinto uma preguiça enorme...
Aqui estou sentada em frente ao computador, apetece-me estar aqui a visitar os meus amigos/as virtuais.
Espero a tua visita.
Podes visitar o meu novo blog de fotos exclusivas, só minhas...
Por aqui continua o teu talento para as palavras, sempre associadas a belas imagens.
Parabéns.
No outro blog tenho algo sobre cinema, se preferes, bora lá.
Bom fim de semana.
Deixo um beijinho c/carinho.
olá
neste ano
dei à minha mãe um beijo, um singelo poema feito por mim e um ramo de flores colhidas no campo e no jardim...
custo: € 0,00
emoção: "carradas"
deu-me que pensar
"Mas faltou tanta coisa, mãe...."
é que também sou mãe...
fique bem
bom fim-de-semana
um "ganda" sorriso
"Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho."
Carlos Drummond de Andrade
Mais uma vez, encanto-me na sua presença...
Beijos doces
Um grande abraço também para ti e um bom Domingo...
Continuas com a mesma qualidade e diferença de escrita que muito aprecio!
Até breve
VB
Um belo poema de Eugénio de Andrade. As razões que a sua mãe terá tido para não ser tão presente, quanto certamente o seu coração pediria, seriam concerteza muito fortes. A sua amargura dilui-se num queixume.
Gostei de aqui vir.
Bom fim de semana.
Um abraço.
Gostei da postagem sobre a origem do Dias das Mães, não saia.Obrigada pela visita, volte sempre!!! O Compartilhando as Letras é nosso!!!
Talentoso Amigo:
Uma mãe é tudo o que tão bem escreve. De forma sentida. Linda e terna.
Admirável, amigo.
Uma mãe aconchega-nos. Afaga-nos. Deixa sempre no seu magnífico colo lugar para mais um. Mesmo sendo muitos. Tem em si um coração ENORME, lindo...!!!
Talvez, não tenha tido o acompanhamento e ternura constantes de uma mãe, mas creia que foi o destino. A vida. Ela dá voltas e voltas, mas o amor dela por si mantem-se, é visível e doce.
Que lindas palavras num ser que cresceu e mantém a magia do bom-senso, a sobriedade sincera e verdadeira de um sublime e lindo sentir.
Pelo poema, pela carta a si dirigida, a sua mãe deveria preenchê-lo por completo. Com imensidão. Com beleza. Com carinho e ternura.
Olhe, Parabéns sinceros e sentidos.
Um poema doce e genial numa pessoa genial e brilhante.
Adorei!
Abraço grande de amizade e estima.
Respeitosamente
pena
OBRIGADO pelas palavras amigas deixadas lá no meu blog.
MUITO OBRIGADO!
pena
Olá paulo...surpreendeste me agora..não tinha este tipo de registo nos teus posts,e devo dizer-te que além de fabuloso (adoro Engénio de Andrade), estás transparente, meio terno, meio amargo, meio saudosista..e lindo!
Falta sempre muita coisa em quem cria perto, quanto mais em quem está longe...e não cria!e acredita que quem perde mais são esses precisamente. Um filho é a maior dádiva que Deus pode dar, e por isso há que agarrar isso com todas as forças dando o melhor de nós sempre...no matter what! Não julgo ninguém, certamente que não foi fácil para a tua mae não te ver crescer..por isso Parabéns a ela que teve um filho que se fez um homem com valores muito sólidos. E Parabéns a ti por este post e pela forma como conduzes os teus caminhos:)
Adorei.
Beijinhos!
Tenho SAUDADES, da minha mãe!
:'
Foi a primeira vez que passei esse dia sem estar com ela.
~ abraço!
De todas as vezes que venho visitá-lo fico contente por ver que ainda há seres humanos maravilhosos - Você é um exemplo disso.
Não costumo chorar mas hoje, ao lêr o que escreveu no dia da Mãe, chorei.
Na minha infância também faltou tanta coisa da Mãe, presente, e do Pai, ausente. Como eu o percebo.
Digo-lhe ainda que também sou Mãe e tenho tentado que os meus filhos nunca tenham o sentimento que você "sente" e que eu neste momento "volto a sentir".
Mando-lhe um grande abraço e desejo que todas as coisas boas da vida apareçam no seu caminho - vai ver que sim.
HFS
ao "anónimo"
Obrigado pela visita.
É verde:"faltou tanta coisa Mãe".
Temos medo de tantas coisas: da pobreza, do ridículo, de fantasmas, de ladrões, de acidentes, da opinião pública, de doenças, da morte...
A história da vida dos homens é a história dos seus medos.
O homem primitivo tinha apenas os seus monstros de grande porte a temer. Hoje temos vários monstros: ausência de afectos, inexistência da presença permanente dos progenitores e, por vezes, as sequelas que resultaram do facto de crescemos demasiado depressa.
Mas ter medo da nossa Mãe é, realmente, o maior «fantasma»...
Paulo
Rico, inspirador e abençoado conteúdo deste post!!!
Abraço e continue sempre na abundante Graça!!!
Seminario Internacional Teologico de São Paulo
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