01 Maio 2008

" 1º DE MAIO - DIA INTERNACIONAL DO TRABALHADOR..."

Foi no longínquo ano de 1886 que se realizou uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago. Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias. Em 1954, em Portugal, durante a ditadura do «Estado Novo» uma manifestação de trabalhadores, com as mesmas reivindicações, fez com que - em terras do Sul... (baleizão) - a trabalhadora Catarina Eufémia desfalece-se, até à morte , atravessada pelas balas de uma metralhadora disparada pelo oficial da Guarda Nacional Republica (Tenente Carejola).
Só a partir de Maio de 1974 (o ano da revolução do 25 de Abril) é que se voltou a comemorar livremente (?) o "Primeiro de Maio" em Portugal, graças ao regime democrático que "saiu" da revolução do 25 de Abril de 1974. Só em 1996 - já em democracia- é que os trabalhadores portugueses passaram a ter uma jornada de trabalho de 8 horas diárias.
Actualmente, em Portugal, discute-se, de forma leviana, as alterações ao Código do Trabalho.
O direito ao trabalho constitui de certo modo um pressuposto e um antecedente lógico de todos os restantes direitos económicos, sociais e culturais. Noutra perspectiva, aliás, o direito ao trabalho é mesmo pressuposto do próprio direito à vida, enquanto direito à sobrevivência.
Em Portugal, há cerca de 500 000 desempregados, logo..., o direito à sobrevivência esta "debilitado".
Em Portugal, a liberdade de procurar trabalho, o direito de igualdade no acesso a quaisquer cargos, o direito de obter emprego ou de exercer uma actividade profissional, o direito a não ser privado do posto de trabalho alcançado, etc..., estão pejados de "armadilhas " e de labirintos que limitam os que pretende exercer os referidos direitos apenas com base nas suas capacidades -resultantes da experiência- ou nos graus académicos.
Afinal...a lealdade politica, a submissão, o trafico de influências, o "sangue azul", o "apelido", o brasão, a nomeação de pais para filhos; tal como em 1886, ou antes de 1974, por vezes - muitas - ainda se sobrepõem às capacidades técnicas e/ou aos graus académicos dos genuínos trabalhadores.
Neste Primeiro de Maio de 2008 - 122 anos depois de 1886 , 34 anos depois de 1974 e 12 anos depois de ser instituída a jornada de trabalho de 8 horas diárias - é um bom momento para reflectir sobre esta matéria, avaliar a capacidade politica do Governo, «expurgar» os maus políticos, dar um sentido "adulto" à democracia e, principalmente, respeitar os verdadeiros trabalhadores.
Como disse "Perseu Abramo": «A história do 1º de Maio mostra que se trata de um dia de luto e de luta, mas não só pela redução da jornada de trabalho, mas também pela conquista de todas as outras reivindicações de quem produz a riqueza da sociedade».


Paulo

25 comentários:

Ailime disse...

Com mais um excelente texto, o Paulo, coloca-nos perante uma realidade por demais evidente!
Não posso estar mais de acordo!
Beijinhos
Emília

Graça Pires disse...

Estou de acordo com o que escreves.
É preciso fazer com que mudem as coisas...
Um abraço.

Jorge P.G Sineiro disse...

Hoje, 1º de Maio, não trabalho e por isso, não comento, peço desculpa.
Apenas passo para deixar um abraço aos amigos e a todos os trabalhadores.
Bom Dia de Festa! Viva a Liberdade!
QUEIRA OU NÃO QUEIRA O PAPÃO!
Jorge P.G.

mateo disse...

Muito obrigado pela tua visita e pelo comentário deixado por lá.
Li algumas das tuas reflexões e considerei-as muito serenas e objectivas.
Um abraço.

herético disse...

excelente texto...
informado e pedagógico

abraços

Paulo Sempre disse...

Jorge p.g Sineiro

Obrigado pela visita.
"um homem deve morrer a lutar, nunca amordaçado pela cobardia" - (Talamud)

O "PAPÃO" só é "tenebroso" se não existir a coesão e a motivação dos trabalhadores. Se todos os trabalhadores se unirem, não há "PAPÃO" que resista.
Abraço
Paulo

Sophiamar disse...

Que este 1º de Maio tenha sido celebrado com a força e a convicção de que queremos um Portugal mais justo, mais igualitário, mais incluso,mais verdadeiro, mais livre.

De acordo com os ideais de Abril.

Beijinhos

FL disse...

Muita gente desconhece a origem do que celebrou hoje. Um bom serviço o seu.

Oliver Pickwick disse...

História e análise. Infelizmente, algumas conclusões refletem uma realidade ainda satisfatória e injusta para muitos. Mas é salutar o desfecho esperançoso e otimista.
Boa comemoração!
Um abraço!

Jofre Alves disse...

Um excelente artigo que trata de nos dar uma visão passado, mas também das questões mais pertinentes do nosso duvidoso presente, com um certo amargo, mas o doce da esperança. Boa semnana.

Maria João disse...

Ainda há tanta coisa para mudar...

Olhemos para o trabalho infantil, para as grávidas que são despedidas, pelos que estáo em situação precária...

Enfim... Um rol de coisas que precisam mudar. O problema, infelizmente continua. Mas hoje em dia temos uma ameaça. Há cada vez mais trabalhadores que vivem de tal maneira para o trabalho e que querem tanto o poder que dizem que não importa se trabalham e não recebem horas extras, se não têm certo tipo de direitos...

Um abraço

O Micróbio II disse...

Prefiro designar este dia como "Dia do Trabalho"... é muito mais apropriado tendo em conta as suas raízes nos acontecimentos de Chicago!

Luis F disse...

Venho agradecer e retribuir a visita ao meu Mar de Sonhos.

Belo texto sobre o dia 1 de Maio. Para ler e comungar das palavras.

Parabéns

Um abraço
Luis

Jamille Lobato disse...

Por aqui também se fala muito na reforma nas leis do trabalho, antigas demais.
Não sei ai, mas por cá são só palavras...

Bom final de semana!

Vic disse...

Olá Paulo, encontrei seu blog por acaso e confesso que gostei muito.Excelente seu texto.
Tenha um bom final de semana!

Abraço
Vic

Bruxinhachellot disse...

Os trabalhadores ainda não perceberam o quanto foi e é importante a luta por melhores condições no trabalho. "Eles" querem acabar com o 13º aqui no Brasil e se o povo não abrir o olho ficará sem o salva natal.

Beijos de alma.

coisas&letras disse...

Olá,
Vim até aqui, curiosissíma por causa do nome dado ao blog. Notei que não haveria nome melhor! Gostei bastante dos temas que levantas e como levantas.
Em relação ao 1º de Maio, concordo que deve ser um assunto a reflectir tendo em conta a situação actual e em particular que atravessa o nosso país. Na minha opinião o governo é negligente e cada vez mais se sente isso na falta de gestão da importação e implantação de espaços comerciais explorados por estrangeiros (recordemos que a instalação de um número absurdo de espaços comerciais com productos provenientes da China levou ao fecho de Fábricas texteis nacionais, etc.). Não estou de todo a dizer que eles vêm roubar trabalho, ou a ter uma atitude racista, mas a responsabilizar o governo português por falta de gestão dos recursos, caso contrário poderiamos ter as importações como complemento ao producto nacional e não como substituto, e consequente causa de desemprego. Os impostos que atingem números insuportáveis para as empresas, e estas à procura de maior lucro deixam o país, consequência? desemprego! Bem teriamos um rol de exemplos infinito.
Mas temos também que pensar que mesmo que houvesse trabalho para todos nem todos o queriam, as injustiças sociais e de oportunidades no trabalho, etc.,essas acho que nós enquanto sociedade podemos dar uma ajudinha maior do que temos feito. Temos que dar mais razões para festejar esta data, para que não morra na própria simbologia!
Já me alonguei demais, espero ter conseguido explicar-me.

Beijo e continuação de bons posts:
C&L

Miguel Barroso disse...

bELO POST. Tomei a liberdade de te linkar.
Abraço d`A SEIVA

fotógrafa disse...

Olá Paulo.Há tempo que não aparecias...obrigada pela visita e um bfds para ti também
abraço

Rato disse...

Paulo Sempre, obrigado pela tua visita. Como leitor voltarei mais vezes. Como comentador pouco poderei acrescentar.

JOSÉ FARIA disse...

Ó amigo *aulo, já são demais, demasiados os que vivem à sombra dos que produzem a riqueza.
Saúde e Abraço.

JOSÉ FARIA disse...

Ó desculpa, o asterísco foi por lapso, pois é de PAULO que se trata.
Abraço

Jorge Borges disse...

O direito ao trabalho é o direito que todas as pessoas têm de adquirir a sua subsistência, o seu pão. A realidade, contudo, desmente este princípio, que pareceria inegável numa sociedade democrática.
A realidade é que o sistema neoliberal vigente não vê a mão-de-obra como pessoas, indivíduos, antes interpreta-a como números. Sabendo que a mão-de-obra é o custo maior que uma empresa tem, há que cortar nos custos para obter lucro, capital para reinvestir.
A coisificação do trabalhador é algo que se transformou num imperativo económico, acima de todos os outros considerandos, jurídicos, humanísticos, políticos. Aliás, a própria política é dominada por este mesmo imperativo...
Belos tempos em que o trabalhador era alguém!

Saudações das alternativas

Rui Caetano disse...

Um texto para reflectir e muito.

DIANA disse...

Parabéns ao autor.A necessidade de despertár as gentes deste País,precisa deste tipo de artigos.Pena é que quem tenta mudar, nem sempre, ou raramente seja ouvido.

Diana (sem cor ou credo).