27 Janeiro 2008

«CRIME SEM CASTIGO NA HIERARQUIA DO ESTADO...»

"O fenómeno da corrupção é um dos cancros que mais ameaça a saúde do Estado de Direito em Portugal. Há aí uma criminalidade em Portugal muito importante, da mais nociva criminalidade para o Estado, para a sociedade, e que andam aí impunemente e alguns deles andam aí a exibir os benefícios e os lucros dessa criminalidade. Alguns, inclusive, ocupam cargos relevantes no Estado português", disse (Dr. António Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados).
O poder tem de ser exercido por homens. E a natural malícia destes torna inevitável a tendência para a corrupção. A fiscalização dos governantes e dos seus actos - mostra a experiência - costuma ser ineficaz pois; quem desempenha altos cargos e é apanhado a prevaricar, raramente acaba punido e até sai pela porta grande, sendo promovido para cargos até de maior importância. Quando esses corruptos são apanhados já treinaram a sua defesa: gritam inocência até ao fim, marcam conferências de imprensa para proclamarem o seu horror e quando se confrontam com a sua consciência, dizem a si próprios que fizeram tudo para o bem do Povo e dos seus representantes. Contratam/compram os melhores especialistas para que estes os ajudem a camuflar e a fazer desaparecer todos os traços das suas actividades.
Esta corrupção toma conta dos serviços - muitas vezes condicionados pela burocracia rígida - e acaba, assim, a distinção entre interesse públicos e interesse particular. Todos os actos passam a ser geridos pela lógica do lucro fácil, do poder arbitrário, do caciquismo, da cunha e do clientelismo.
O Dr. António Marinho Pinto, sabe que, a corrupção, ao reproduzir-se impunemente, contaminará toda a estrutura pública, criando, deste modo, uma subversão desreguladora, porque a complexa teia de interesses e cumplicidade criada vicia o desenvolvimento do país e do próprio Estado de Direito Democrático.
Nesta conformidade, o Dr. Marinho Pinto, ao denunciar o "crime sem castigo na hierarquia do Estado", praticou, na minha opinião, um dos mais extraordinários actos de cidadania.
O Dr. Marinho Pinto, vai, agora, enfrentar a "arma" mais mortífera usada pelos visados: estarás sempre vigilante em relação aos que, por formalismos legais ou por suspeita, querem fiscalizar as tuas acções . Encontrarás meios para os desacreditar ou, em último caso, os eliminar.
O Dr. Marinho, general da cidadania, preparou a sua "batalha": primeiro Juntou e guardou as provas materiais - caso contrário desapareciam -, depois utilizou os midea - dando a entender que não tinha provas materias bastantes -, em consequência lançou a discussão política sobre o assunto, colocou a Procuradoria Geral da República em acção - obrigando-a a "abrir" um inquérito -. Quando Portugal inteiro estiver preparado, vai aos autos, no âmbito do inquérito, e, para espanto de todos.., entrega as referidas provas. Começa então a "verdadeira batalha" mas aí já tem um "exército" de portugueses consigo.
Força, Dr. Marinho Pinto!!!... em mais uma "grande batalha".
Paulo

24 Janeiro 2008

" SLOGANS VAZIOS..."

A verdadeira ciência nunca é respeitável; ela é uma "selvagem" sempre em revolta contra os "slogans vazios" de sentido e recoloca em discussão, sem parar, as verdades científicas mesmo as mais solidamente estabelecidas.
A sociedade diz ao indivíduo que é livre e independente, que pode ordenar a vida segundo a sua livre vontade, que o grande "jogo da vida" esta à sua inteira disposição e que, se for eficaz e enérgico, alcançara tudo o que deseja. A verdade é que todas estas possibilidades são, na prática, muito menores para a generalidade dos homens. O que se diz em tom de brincadeira quanto à impossibilidade de escolher os pais, é igualmente aplicável à vida em geral, à escolha profissional e ao êxito nela e a tantos outros aspectos da vida em sociedade...
O resultado de tudo isto é uma incessante flutuação entre o sentimento de ilimitado poderio na determinação do próprio destino e o sentimento de total impotência perante um universo grande de problemas do quotidiano real.
Estas contradições inscritas na nossa cultura constituem, justamente, os conflitos que certos chefes/comandantes/dirigentes, muitas vezes não conseguem conciliar. Assim, não é difícil encontrar chefes/comandantes/dirigentes com tendências agressivas, impulsos para a condescendência, com exigências excessivas, com medo de nada alcançarem. A sua ânsia de auto-exaltação e os seus sentimentos de defesa impedem uma sã convivência entre os chefiados/comandados/dirigidos e, estranhamente, este "calvário", muitas vezes, leva a uma competição neurótica que degrada as relações humanas não permitindo, por isso, qualquer desenlace satisfatório quanto aos objectivos a alcançar.
Infelizmente há ainda quem pense que " o princípio da competição individual é o fundamento económico da cultura moderna". Nesta conformidade, há indivíduos isolados que travam uma luta permanente com outros indivíduos do mesmo grupo profissional, procurando superá-los e, muitas vezes, afastá-los do caminho. Como consequência desta situação, estabelece-se uma difusa tensão hostil onde o único denominador comum é a "retórica do silêncio". O problema é que quando uma relação se baseia na autoridade, qualquer crítica fica vedada, pois minaria necessariamente aquela. Para que a autoridade não seja "minada", as criticas são manifestamente proibidas, sendo a proibição imposta pelo castigo; ou então, por uma forma mais afectiva, ser antes táctica e decretada sobre fundamentos morais. Em qualquer das situações, os "fantasmas" não morrem; ao invés: persuadem sempre na razão inversa em que se dissimulam na vontade de influenciar o comportamento de outrém, com "slongan vazios de sentido".
Paulo

12 Janeiro 2008

"IMPERATIVO CATEGÓRICO"



Certo dia o meu pai (na foto), disse-me: «Nunca te deves esquecer de que a ética Kantiana é uma teoria impraticável e que são o poder e a ambição que ditam as acções dos homens».
Mais tarde, já aluno do 10º de escolaridade, o meu professor de filosofia ensinava: «A lei moral, ou imperativo categórico foi formulado por "Kant" nos seguintes termos: Actua de modo que a tua conduta possa valer como princípio de uma legislação universal».
O meu professor (padre) de religião e moral, ensinava: «Deus não proibiu somente as acções impuras, mas as imaginações, os pensamentos e os desejos. Deves procurar a castidade, em palavras e obras, como em pensamentos e desejos»
A juventude delinquente do "meu" bairro, onde cresci, com os seus blusões negros, ensinavam-me "outras lições de vida" : «serás cirúrgico e asséptico no modo de contornares as leis, os regulamentos e códigos, e atrairás a ti os melhores especialistas para te ajudarem a camuflar e a fazer desaparecer todos os traços das tuas actividades».
Depois, ainda, tinha a minha mãe, que me dizia sempre: «Cada um é tentado pela sua própria concupiscência...Depois a concupiscência dá à luz o pecado; e o pecado, quando tiver consumado, gera a morte».
Estes paradoxos, ainda hoje, me obrigam a períodos longos de reflexão: seria o meu pai um "vigarista"?. Pertenço a uma juventude inadaptada?. Serei um delinquente?. Devo entregar-me aos meus próprios desejos? Devo obedecer aos imperativos do mundo que me rodeia, necessariamente imperfeito também?
E se não houvesse contradições entre a conduta de cada um e as condutas de todos os outros? Acabaria, assim, por coincidir o «imperativo categórico» (dever de realizar o bem) com o dever moral concebido por todos os sistemas éticos, num pressuposto de respeito, ou de amor, do próximo, de todos os semelhantes?
A verdade é que o actual quotidiano social e político, ensina-me amargas lições de filosofia: afinal a exterioridade dos comportamentos conforme o direito e o livre arbítrio, dos políticos e da maioria das pessoas, não se ajusta ao «imperativo categórico» de cada um, por forma a tornar possível a coexistência da sua liberdade com a liberdade de todos os outros.
Assim, devo concordar com Bourget: «Amar com um amor em que os sentidos imperam, é sempre, sempre, sempre, sofrer de insatisfação» ou reflectir sobre as palavras do professor de religião e moral. «... Deves procurar a castidade, em palavras e obras, como em pensamentos e desejos»?
Paulo

03 Janeiro 2008

"RETRATO SOCIAL"

É certo que houve progressos em Portugal e que as pessoas vivem hoje mais desafogadamente do que viviam há anos.
A verdade é que, infelizmente, ainda restam muitos problemas por resolver, os quais têm criado um nefasto ambiente social digno de "registo".
Chegamos, finalmente, a 2008. Muitas expectativas ficaram pelo caminho.
Num olhar sobre o actual "retrato social ", vislumbra-se uma realidade degradante:
- políticos que perdem o respeito uns pelos outros e se acusam, mutuamente, como se fossem "lobos" famintos de poder.
- notícias de abuso de crianças, corrupção, criminalidade violenta, administração arbitrária, descontentamento nas Forças Armadas e de Segurança, abrem os telejornais e as primeiras páginas dos jornais;
- "pontas de lança" nos sectores da banca , finanças e seguros, mostram-se cada vez mais agressivos como que a "sacudir" os "inimigos" em sua volta;
- as reivindicações traduzem-se, frequentemente, por ameaças, insultos e "braços de ferro";
- não se pune, exemplarmente, omissões de deveres e/ou condutas politicamente lesivas dos direitos dos administrados;
- a insegurança aumenta nas ruas, com uma total falta de respeito pelas pessoas e bens;
- as indefinições quanto à reestruturação, em curso, das instituições começa a dar mostras de uma certa incoerência, um impiedoso ambiente que torna cada vez mais difícil o respeito e a disciplina no interior das mesmas;
- os que trabalham com dignidade e honestidade, ficam preteridos nas suas carreiras, tornam-se pessoas "não gratas" só porque não "alinham" em certos esquemas contrários à moral e à dignidade da pessoa humana;
- a comunicação social, voltada para o sensacionalismo e para o superficial, criou hérois de "papel";
- as instituições religiosas viram reduzido o seu campo de acção e minimizado o seu objecto fundamental de educar e promover os valores transcendentes e morais;
- a família está cada vez mais fragilizada e desapoiada;
- a escola tornou-se uma "solidão povoada", desprovida de motivação para instruir e educar;
Nada disto aconteceu de um momento para o outro. A situação actual é o resultado da falta de uma acção política regeneradora dos dinamismos que podem influir positivamente sobre o processo degenerativo da sociedade em que ora vivemos.
O povo sensatamente adverte, numa sabedoria de séculos, que «quem semeia ventos, colhe tempestades». Ainda assim, não tem faltado, ao longo dos anos, quem dissemine impunemente o tecido social, quem impeça que se desenvolva e implemente uma acção que ajude o enraizamento e a promoção dos valores indispensáveis a uma convivência social e sem medo.
Nestes tempos de inércias, desistências e omissões, restam as indispensáveis esperanças num povo, históricamente resistente, capaz de inflectir uma democracia que se deteriora vertiginosamente...
Paulo Sempre