Há um Estado que se quis tornar providencial criar inventar o "simplex". Esse Estado cedeu mesmo à tentação de, face a populações desenraizadas e preocupadas, prometer-lhes uma felicidade segura, através de um progresso material indefinido.Um Estado que delegou os seus poderes soberanos nas "garras" da Europa e que, agora, enfrenta a probabilidade de vir a desaparecer como categoria histórica; pois é "filho pobre" de super-potências.
Os "delírios" do "arco-íris" da modernidade, por onde esse Estado "embarcou", deixaram-lhe receios que hão-de acentuar-se pela hipótese de que a estruturação das sociedades que se substituam ao Estado apenas deixem um "doloroso" vazio do poder.
Hoje, nesse Estado, alguns prenúncios do referido vazio do poder se desenham constantemente ao espírito dos cidadão, por via de constantes notícias quotidianas reveladoras da pobreza, da debilidade da justiça, da insegurança, do aumento da criminalidade. Estado, que quis ser providencial, faustiano, ocupando-se de todas as questões fundamentais da vida em sociedade, mas, pelos vistos, lamentavelmente, não consegue alcançar os objectivos a que se propôs. Esse Estado deixou de assegurar a defesa das fronteiras contra os inimigos externos e internos. Esse Estado já não consegue manter a motivação das forças da ordem nem nos espíritos dos contribuintes que asseguram os seus gastos. Esse Estado legisla em abundância, ao sabor de pressões, ou de impulsos meramente conjunturais. Faz publicar diplomas inúmeros que tarda em regulamentar, facto, este, que, necessariamente põe em crise a lógica e a coerência do seu próprio sistema jurídico. Esse Estado que, por força de certos interesses e/ou precipitação com que foram elaborados os diplomas, rectifica, altera, revoga, suspende, esses diplomas legais, em termos de lhes alterar o sentido.
Esse Estado que esta sujeito a pressões alheias à sua estrutura, a bandos terroristas, a grupos económicos poderosos, dos quais dependerão, por exemplo, o preço dos combustíveis, ou investimentos susceptíveis de ocultar a situação económica, os apoios que assegurem a uma facção política, por via eleitoral ou outra, a permanência no poder.
Dada a situação referida, esse Estado ou se submete - de forma não precipitada - a reformas profundas e realistas, que lhe permitam desempenhar, com a independência e autenticidade - sem retórica e/ou expectativas frustradas - as suas tarefas próprias, de que se tem apartado pela sua ambiciosa dispersão, ou os tempos próximos conhecerão um desenrolar de acontecimentos que vão lançar as mais fundadas dúvidas sobre a estrutura política ou, até, sobre a sua sobrevivência.
Que Estado é este?
Paulo






