14 Junho 2009

" O "ROCHEDO" ... "


Entristece-me o facto de tudo se modificar à nossa volta e ainda existirem “vendedores de sonhos” a ocuparem lugares “chave” onde se decide o destino de um Povo.
Hoje não se sabe onde começam e onde acabam as liberdades dos outros, susceptíveis de limitarem a liberdade de cada um.
Em certos círculos, parece ter sido imposto um certo “regime” com o propósito de ocultar e/ou confundir as ideias. Os menos atentos são “varridos” pelo agitar de promessas, números – e contraditórios – que roçam o insulto, quando não se cai nele rotundamente.
Perante este cenário, o normal funcionamento das instituições tornou-se insustentável. Hoje tudo se acha sujeito a discussão e a revisões.
Considerando que a liberdade dos outros abrange – entre outros aspectos – o respeito pela vida, integridade física, bom-nome e pela propriedade, importa, então, saber:
Até que limite a liberdade de cada um, ao emitir livremente as suas opiniões, não poderá ofender gravemente a liberdade dos outros quanto ao respeito de credos religiosos, de costumes, conduta moral, etc…
O Estado, em nome do interesse público, tem julgado importante impor a restrição a uma panóplia de direitos adquiridos e cerceamento das liberdades, com interferências perturbadoras nas convicções dos cidadãos no que concerne à confiança destes nos órgãos de soberania.
Enquanto as instituições não assentarem num determinado número de regras indiscutíveis e inatingíveis, só se pode estar perante uma anarquia, com todas as consequências dai resultantes.
É inadmissível – quando a lei é igual para todos – que a pequena criminalidade -pequenos furtos/roubos – tenha um tratamento célere por parte dos tribunais e que a grande e hedionda criminalidade consiga “travar”, de forma escandalosa, a acção da justiça quando estão em causa a função, estatuto, de certos suspeitos e/ou arguidos que amordaçam impunemente os pressupostos de um Estado de Direito Democrático e os princípios mais elementares da ética, justiça, equidade.
Agora sabemos que não é difícil o progresso… pelo contrário, o que é difícil é destruir o “rochedo” batido por toda a opinião publica, por todos os que lutaram pela igualdade perante a lei, mas que, teimosamente, se mantém de pé e que – para espanto de todos – nenhum “furação político”, ou revolução popular, conseguiram vencer.
“Rochedo” que, penso, se prepara – limpando e arejando as suas engrenagens e roldanas – para influenciar os destinos de um Povo, antes, e após, as eleições legislativas e autárquicas.
Nas últimas eleições ficou provado que os que levam a vida a narcizar-se, a organizar manifestações, desfiles, cerimónias de apoteose, já não conseguem hipnotizar os que despejam nas urnas – de forma secreta, não vá o diabo tece-las – a sua própria vontade e liberdade interior.

PAULO

35 comentários:

Lídia Borges disse...

É verdade!
As contradições verificadas entre palavras e obras de quem nos (des)governa, hoje, como nunca atingem proporções escandalosas e o pior é que bastam umas "esmolitas" aqui e ali por tempos eleitorais e lá volta tudo ao que já era.

Cumprimentos

direitinho disse...

Sempre preocupado com questões fundamentais.
Estamos e vivemos numa conjuntura de mudança prepositada para que a maioria nem saiba o que é bom ou não se deve escolher.
No meio de tantas coisas do é... e do já não é ...ontem foi mas agora ...
Seria muito bom que se respeitasse a palavra dada e que a sociedade avançasse com programas bem defenidos.
Seria bom que as penas e os castigos fossem para todos os criminosos e não apenas para a raia miuda............
Boa semana

O Micróbio II disse...

A velha questão dos limites da liberdade... que leva muita agente a confundir liberdade com libertinagem!

José disse...

Ainda por estes dias tive de assistir a varias inaugurações...
Não é facil...quem está no poder quer se quase perpetuar...
Tudo de bom

Maria João disse...

Também acho que se confunde liberdade com libertinagem.


A nossa liberdade termina onde começa a do próximo. E, mesmo assim, tem de haver bom-senso quando a minha liberdade «choca» de alguma forma com a do outro.

Esta ideia de que tudo vale levou-nos a uma sociedade em que até o que está na Declaração Universal dos Direitos Humanos pode ser violado sem haver problemas, porque tudo vale.

Haja bom-senso. Ser livre é ser responsável. Podemos fazer tudo, mas nem tudo é conveniente, não é verdade?

beijos

Esterilização Obrigatória disse...

Vem ver no nosso Blogue, a entrevista com a Alexandra do Bazar do Ronrons, e sabe a realidade dos gatos em Lisboa.
http://esterilizacao-o.blogspot.com/

Osvaldo disse...

Caro Paulo;

Não quero ser "má lingua", mas acho que o povo está vivendo o que mereceu...

O povo do meu país é um pouco como "mulher de malandro", quanto mais apanha, mais gosta...
Será que desta vez aprendeu?... Tenho as minhas dúvidas.

Um abraço, Paulo
Osvaldo

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

A vida é um incêndio:
nela dançamos,
salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...

(Mário Quintana)

Desejo um lindo resto de semana com muito amor e carinho.
Abraços Eduardo Poisl

Princesa disse...

Não deixe a vida passar
Simplesmente pela tua janela.
Vá... participe,
Explora outros horizontes
Se acha que os atuais
Já não satisfazem
Ou comece agora
A fazer parte da história.
Amanhã pode ser tarde demais
Para começar qualquer coisa...
Pense Nisso!!!
um beijo e um bom dia amanhã

Sidney Ramos disse...

Olá Paulo:
De passagem como "sempre" pelo seu ótimo blogue, gostei muito das mudanças.
Mudar "sempre" é bom, ainda mais quando se faz assim com competência.
Mudar é o que precisamos para garantir melhor nosso futuro no planeta.
Vitória para seus objetivos é o que eu desejo a você Paulo.
Sempre.

lélé disse...

Muito bem escrito, como Sempre.

É enervante, de facto, a maneira como certas pessoas, que têm grandes responsabilidades públicas (ou, pelo menos, deviam ter, porque estão no cargo e são pagas para isso), sacodem a água do capote com um "não podia fazer mais nada", deixando impune os maiores prevaricadores e, pior que isso, o povo todo a olhar pró naval...

O Profeta disse...

Nasceu!
Nascem a todo o instante
Os sentires vindos da alma
Tatuados a cada semblante

Um beijo na tua procura
Um abraço fica suspenso
Um sorriso desponta da tristeza
Um olhar prende o momento


Boa semana

Abraço

lusibero disse...

Paulo:gostei deste seu artigo. Remete, naturalmente, para o tema das liberdades ,neste mundo cada vez mais de "meia dúzia" só. Sempre me disseram que a minha liberdade acaba, onde começa a dos outros... Como o Paulo sabe, olhando o mundo à nossa volta, sabemos que, tristemente, não é assim... Levantam-se "rochedos" terríveis ,à nossa frente!Desde há 4 anos que eu os vejo levantarem-se , ameaçadores,perante nós, portugueses, de um modo avassalador...Só não os vê quem for ,democraticamente, cego, surdo e mudo!Por isso, meu amigo, não acredito na "nova fatiota "do sócrates!E nem quero dizer mais nada...

Espaço do João disse...

Caro Paulo.
Nem mais nem menos. Dissete tudo. Sofri na pele as grilhetas da outra senhora e, não foi para esta bandalheira se refastelar á grande e á francesa. Cada vez mais lembro o meu querido amigo e conhecido de todos nós o José Afonso. Quando ele cantou os Vampiros, já previa esta bandalheira. Abril foi para mim uma esperança que a pouco e pouco se desvaneceu. Os algozes estão por tudo quanto é sítio. A justiça é só para os pilha galinhas. Os Abutres continuam á solta e gozando a seu belo prazer todos os crimes e roubos. Maldito mundo cão. Estou arrependido de nascer.

Ailime disse...

Paulo,
Hoje passo apenas para te deixar um beijinho.
Bom Domingo.

Lord of Erewhon disse...

Dizem que todo o fim traz um começo...

Abraço.

zelador disse...

vamos aguardar...vamos aguardar..tudo de bom

zelador

Isabel José António disse...

Caro Amigo António,

O sistema está feito para que, à vez, uma vez uns e outras vezes os outros, o sistema continue a ser O SISATEMA. Neste sistema só uns quantos têm direitos e esses direitos, embora constem no papel, formalmente, não são aplicados como muito bem sabe, se não, o sistema não funcionaria.

As crises, e mais crises, uma mais suave e outras mais fortes, recaem sempre para cima dos mesmos.

É assim, sejam quais forem os partidos que esteja no poder, quando em vez do SER, que deveria ser o paradigma que estivesse em acção, o TER é quem comanda.

Um grande abraço

José António

Alda disse...

Olá Paulo,
Um bom texto, parabéns!
Um abraço
Alda

A. João Soares disse...

Convido a visitar o post Que futuro teremos?.
Trata de um assunto que merece ser comentado, com seriedade. O tema merece profunda reflexão.

Bom Domingo
Abraço
João

Klatuu o embuçado disse...

Não vens à tourada? :)

comme des habitudes disse...

olá. me chamo leandro e por acaso vi seu blog navegando. achei super interessante. o meu é um misto de história, filosofia e cultura geral. se quiser pode me seguir. abraços!

Sergio Henrique Solino Christino disse...

É a pura verdade!
Temo visto as contradições entre palavras e obras de quem nos (des)governa, hoje, e extremamente escandaloso como nunca atingem o extremo e o pior é que bastam umas "esmolitas" aqui e ali por tempos eleitorais e lá volta tudo ao que já era.

Ricardo Calmon disse...

Belo e Intenso Texto,Paulo!Atitude Sempre!

Viva Vida!

Marina-Emer disse...

muy feliz domingo ...besos
Marina

JAIRCLOPES disse...

Belíssimo texto, parabéns!

Péricles Carvalho disse...

Teu texto me lembrou discussões na universidade a respeito do Estado enquanto gerador da segurança e do progresso nacional - algo muito positivista, diria...

Percebo contradições muito grandes, principalmente na américa latina e no Brasil, entre o que é pregado por políticos, e o que é, de fato, feito e estabelecido em prol da sociedade.


abraço!

A. João Soares disse...

Sugere-se uma visita ao blog Sempre Jovens, a leitura do post Vamos limpar Portugal e a sua divulgação o mais alargada possível.
Portugal precisa que todos os cidadãos exerçam o seu dever de cidadania e de civismo, sempre e mais precisamente em 8 de Novembro.

Cumprimentos
A. João Soares

Barbara disse...

Certo. "Hoje tudo é discutido e levado a revisões".
Porque estamos todos à deriva, visto que o sistema não existe mais (o que não funciona não existe) e ainda não se colocou nada no seu lugar.
Está claro que nessa circunstância, a corda arrebenta sempre para o lado mais fraco - o povo, as gentes.
Obrigada.

elvira carvalho disse...

Gostei desta reflexão sobre a realidade actual portuguesa. Há 35 anos abriu-se uma porta para o sonho dum futuro melhor e mais igualitário. Hoje o sonho está na sua essência adormecido, e em alguns aspectos até transformou-se num pesadelo.
Um abraço e bom Domingo.

Pena disse...

Oh, Fantástico e Genial Amigo:
Uma dissertação sensível no campo da justiça que devia presidir na atenção das pessoas de bem.
Mais um belo e admirável momento em que explana com agradabilidade o seu rico e valioso sentir. Repleto de significação .
VOCÊ é mágico como concebe o que sente. O seu notável sentir.
Adorei.
Bem-Haja pela sua amizade que não esqueço, nem poderia.
Excelente!

Abraço aqui do norte de Portugal e maravilhado pelo escreve de forma divinal e brilhante...

pena

É genial e talentoso, já lho disse tempos atrás e repito.
Celestial, Amigo Enorme!
É bom "regressar" de novo aos amigos.

Margarida Piloto Garcia disse...

Vim visitar e fiquei fã.Irei ler pausadamente para saborear tanto post com carácter bem interessante e escrito com talento.

Sandro SOULMKT disse...

Ola Paulo, vizitei seu blog e gostei muito, você esta de parabéns é isso ai continue assim estamos precisando de pessoas como você uma cabeça pensantem.
Poderiamos trocar links...

Um abraço !!

Cleopatra disse...

"Nas últimas eleições ficou provado que os que levam a vida a narcizar-se, a organizar manifestações, desfiles, cerimónias de apoteose, já não conseguem hipnotizar os que despejam nas urnas – de forma secreta, não vá o diabo tece-las – a sua própria vontade e liberdade interior. "

Vamos ver as próximas!

Paulo Sempre disse...

"Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!



É ter de mil desejos o esplendos

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!



É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…

É condensar o mundo num só grito!



E é amar-te, assim, perdidamente…

É seres alma e sangue e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda a gente!"



(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)



Logo não é fácil ser um poeta no verdadeiro sentido do conceito...

Paulo